jul
12
2017

História da Festa do Morro do Fogo

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O que vamos narrar é uma história baseada em fatos reais, coisas do nosso sertão, coisas da Festa do Morro do Fogo em Érico Cardoso.

Há alguns anos, não sabemos precisamente em qual, um jovem trabalhador foi ao escritório do patrão. Abriu a porta todo sem jeito e ficou frente a frente com o chefe. Tentava começar a conversa, mas não sabia por onde. O patrão aguardava curioso, esperava por algo, contudo apenas o silêncio.

- O que aconteceu? – indagou o patrão curioso. – Parece que viu assombração.

- Patrão, eu não sei bem como começar. Eu vim lhe avisar que nos próximos três dias eu irei faltar ao trabalho, preciso fazer uma viagem.

- Três dias?

- Apenas três dias.

- Viajar para onde? Aconteceu alguma coisa com algum dos seus familiares?

- Vou à festa do Morro do Fogo.

- Você quer que eu lhe dispenso para ir à festa? Três dias ainda por cima. De jeito nenhum.

- Eu apenas vim lhe avisar: “Nos próximos três dias eu não virei trabalhar”.

- Se fosse pelo menos um dia, mas três não há cabimento. Você pode ser penalizado. Pense bem.

- O senhor desconte do meu salário. E se não quiser me dispensar, não tem problema, apenas bata a minha rescisão. Vou ao Morro e acabou. Todos os anos eu voa à romaria, não seria neste que eu iria faltar. A festa do Morro é a melhor do ano, é a melhor de todas.

- Você é meu melhor funcionário, mas três dias seguidos para ir à festa não pode. Se você for…

- Desde já peço minhas contas. Sou mais ficar sem emprego que perder a festa. No ano passado perdi minha esposa. Ela disse para eu não ir, eu fui. Quando retornei, ela me colocou para fora de casa. Depois de um mês fizemos as pazes. Neste ano, ela me colocará para fora de casa novamente, não tou nem aí.

- Você não irá levar ela não? Vai sozinho?

- Eu sou lá doido de levar água para o mar. Por que o senhor não feche o seu comércio e venha comigo? Você vai ver que festança boa.

- Se eu for, minha mulher me mata.

- Mata nada. Fica nervosa por uns dias, chilique de mulher, depois passa, tudo passa.

- Já vi que você é irredutível. Como não posso perder um funcionário como você, é melhor ceder a sua pressão, mesmo contrariado. Temos muito trabalho, muitas entregas para fazer nos próximos dias.

- Quando eu retornar, trabalharei dobrado para pagar minhas faltas. O patrão sabe que comigo não há corpo mole, se for para trabalhar até mais tarde, trabalho e nem cobro horas extras.

- Você é um homem de coragem.

- Eu sou é doido. Vamos? Venha comigo.

- Eu queria ter um pouquinho desta coragem que você tem.

O funcionário saiu todo sorridente, o patrão ficou a matutar.

- Como eu gostaria de ir ao Morro do Fogo, extravasar um pouco, tomar umas. Eu poderia ir pelos menos um dia. Mas se minha esposa sonhar, serei um cabra morto.

Enquanto o funcionário vive a vida curtindo, o patrão sofre trabalhando para manter seu pequeno império.

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