Balanço do Forró.

Se perguntar a um nordestino: “Qual o período do ano que você mais gosta?” Noventa e nove por cento dirão sem pensar: “O mês de junho.” Esse pequeno espaço de tempo faz com que a atmosfera da cidade ganhe novo colorido, o falar do povo mude radicalmente, as comidas se transformem e a música vibre em novos tons. As festas juninas dão aos nordestinos a força e a alegria para continuarem a cavalgar sobre essa vida dura, seca, brava e gostosa de si lidar. Pensando nesse potencial os gestores dos municípios se esforçam para fazer a cada ano festejos melhores que os já passados.
O que falar de trinta dias de folia... Nossa região, composta por vários municípios, todos próximos uns dos outros, faz do mês de junho um só arraial. Santo Antônio em Paramirim, treze dias; São João antecipado em Ibipitanga; São João: Botuporã, Érico Cardoso, Feira Nova, Macaúbas, Caraíbas, Praça Castro Alves (Paramirim), depois aconteceu em Tanque Novo e por último o São Pedro em Rio do Pires. Uma data muito alegre, tempo de confraternização. A criançada soltando fogos, brincando quadrilhas, comendo as iguarias típicas da época, enquanto a fogueira queima o povão arrasta os pés nos salões. Um mundo encantado. Nem parece nosso querido e seco sertão.
Vou falar de Paramirim, pois sou desta terra, como diz Reginaldo Rossi em uma de suas belas canções: “O cara da Bahia canta a Bahia, o do Rio Grande do Norte canta o Rio Grande do Norte, o cara da Paraíba canta a Paraíba”. Vou cantar, não, contar um pouco de Paramirim. Eu tenho que “puxar a sardinha para o meu lado”, conselho do ilustre Reginaldo. O Santo Antônio por ser um festejo com treze dias se faz com uma gama farta de eventos, tradições que vêm de outrora. Devemos nos orgulhar por assim ser, entretanto nos requer atenção para que nossa cultura, já fragmentada, não se transforme em modismo. Não devemos copiar os grandes centros, o que devemos fazer é incentivar nossas belas tradições, sem desmerecer outras paragens, somos mais ricos, o que nos faltam é o valor nosso ao que de fato é nosso. Não podemos nos esconder, ou deixar de participar das nossas raízes; antes de aventuramos em conhecer novos horizontes devemos primeiro saber o que possuímos em nossos quintais. A visão do povo flutua rumo às imensas aglomerações. Não se faz cultura com quantidade; acreditar que algo seja bom somente por esse ser aceito por uma maioria, com certeza, é nosso maior erro.
Um ponto crucial ao bem-estar dos jovens e que nossa terra deixou há muito tempo de lado, trazendo com isso muitos problemas, vistos agora na sociedade, o fato das escolas deixarem de contribuir na real formação dos jovens. Nossas escolas, digo no geral, adotaram e adotam métodos, que hoje se mostram falhos, para um melhor aproveitamento dos aprendizes. Os professores, nos dias atuais, não passam de meros transmissores de dados. O período em que vivemos exige postura diferente, pois temos carências que antes não existiam. O maior crime que se comete atualmente é tentar fazer dos estudantes seres passivos para a sociedade vibrante. Não podemos impedir que haja uma interação dos jovens com o social e que dessa forma os mesmos tomem conhecimento dos nossos problemas; se nada for feito legaremos aos próprios a sina de falharem adiante por não terem tido a oportunidade de conhecer nossas mazelas. A sociedade não carece de seres passivos, pessoas que não se comunicam, não fazem, não existem. Há muitos desafios a ser vencido, por isso o ambiente natural é um lugar perigoso a esses tipos de seres. Já nos primeiros anos de vida devemos ensinar e incentivar nossas crianças a participarem, não como expectadores, mas como atores a ditar a história em curso. Explicar o conteúdo dos livros e pedir que estudem para realizar avaliações já não consegue surtir mais efeito, no mais apenas uma falsa verdade da vida humana, conhecimento teórico que não se adéqua ao meio em que vivemos. Os seres dos novos tempos, além de tudo, deverão ser sociáveis, não apenas dentro dos seus grupos, mas em qualquer situação. Você estará pensando: “O que isso tem haver com festas juninas?”. Chegaremos lá, peço apenas um pouquinho de calma. Nos tempos de hoje o camarada que vence um punhado de linhas já é tido como herói. Avante, Herói! Vamos juntos, Homem Moderno, vencer este mundo das ignorâncias!
Muitos devem se lembrar, não faz tanto tempo assim, tínhamos o “Desfile de Sete de Setembro”. As escolas juntas na realização de um evento, os professores, como tenho saudade, doavam seus tempos para que tudo ocorresse da melhor forma, no dia eram milhares de atores no teatro a céu aberto. Não sei qual motivo, mas com violência mataram nosso Sete de Setembro. O feriado virou mais um entre tantos outros, sequer tem sentido, muitos nem sabem o porquê dele, apenas mais um dia de folga. “Nos dias atuais realizar um evento é muito trabalhoso, dizem os professores, os alunos não querem nada”. Se o general for fazer os gostos dos subordinados o que será dele no momento em que cobre autoridade? Tudo na vida há que ter trabalho. Comece a construir uma casa, case e procure ter um filho, lá estará o trabalho. Com certeza, o que não gostamos é de trabalhar em prol dos outros, mas devemos nos esforçar, pois as cidades já não são seguras a vida. Muitos alunos não encontrando apoio na família buscam guarida nos professores, a responsabilidade desses para com aqueles é inimaginável. Professores ganham pouco? Deveriam ganhar bem mais, porém o nível de muitos está tão baixo que não deixam motivos para uma elevação salarial. Professor é tão ou mais importante do que médico, contudo a classe daqueles deteriorou-se por falta de profissionais qualificados ao novo mundo. Deixemos de conversa, acredito que neste exato momento há pessoas com raiva de mim, isso é, se alguém teve a coragem de chegar até esse ponto da leitura. “Muito grande sua matéria”, dizem alguns. Outros: “Só baboseira”. Minha obrigação é escrever, por isso vou escrevendo. Certo ou errado, não importa, o que não posso é dá-me o luxo de parar; são com os erros que aprendemos a não errar.
“Falar é fácil!” – gritam alguns. Será que falar é tão fácil assim? Por que o mundo com quase sete bilhões de pessoas apenas um punhado delas falam? “Fazer é que é difícil!” – gritam outros. Realmente, há uma dificuldade a ser vencida, mas a vida se faz de obstáculos a serem transpostos. Falo aqui aos professores, pois vejo o quanto nosso ensino deteriorou-se no decorrer dos anos. Apenas aponto um caminho que devemos buscá-lo. Conheço as dificuldades impostas aos educadores; vejo as armadinhas que circulam nossos jovens. Não será transferindo responsabilidades que alcançaremos uma meta. Sete de Setembro se aproxima, estará aí uma oportunidade para fazer a semente hibernada se libertar e germinar para uma fruteira produtiva do amanhã. Nossos jovens precisam aderir ao movimento participativo, todavia o apoio dos professores tem como base primordial para que assim se aconteça.
Voltemos aos Festejos Juninos. Professores, eu não vi as mãos dos senhores nos festejos a Santo Antônio. Vão continuar se escondendo até quando? Este ano teremos novamente nosso Sete de Setembro? Só em pensar faz lembrar-me dos que participei. Pergunte aos alunos daquela época o que eles acham do Desfile. Não sou eu apenas a pedir, o povo é quem pede. Ouça a voz do Povo, pois essa é a voz de Deus.

Luiz Carlos Marques. Cardoso (Bill)
06/08/2009



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