Olhando para trás vejo o intervalo de uma Copa do Mundo de Futebol em um continente para outro como um lapso espaço de tempo; olhando ao futuro, essas quatro primaveras, dependendo do que se idealiza será como uma eternidade. Quatro anos não é pouco e nem tão pouco muito, quatro anos são tudo ou nada; um bom, porém, período para se realizar algo desejado e planejado. Todavia neste mesmo tempo um mar de rosas ou de lodo poderá surgir aos seus pés.
Na política as coisas não tendem a acontecer diferentes. Há quatro anos, terminada a votação, o povão desceu frenéticos para comemorar defronte a casa do prefeito eleito. Fogos, som, aplausos, esperanças, sorrisos, união. Passaram-se quatro primaveras, outonos, verões e invernos. Passaram as quatro estações quatro vezes cada, contudo a primavera do primeiro ano se foi deixando o temido inverno, fruto da falta de trato do jardineiro desleixado com suas plantas. Assim que anunciou o fim da votação, no ano de 2008, o mesmo povão desceu, novamente, frenético para comemorar, não defronte da casa do vencedor, mas da residência do vencido. Quem era o derrotado? Isso. O mesmo que há quatro anos fora sagrado vencedor.
Existem os foguetes gostosos da vitória para uns que para outros queima igual acido. A sorte ora presenteia um, ora outro. Saber conviver com ela e fazer com que a mesma trabalhe para ti não é tarefa para muitos, pois se assim fosse, o mundo não teria esse grande contingente de miseráveis. Ele recebeu das mãos da sorte um reinado de quatro longos anos, lembre-se: longo, como tudo, porém, um dia chega ao seu fim. Tendo um pouco de qualidades e experiência o reinado poderiam durar outros quatro.
A sorte como um passarinho deixou sua gaiola e sumiu no céu azul. Dizem que ela saiu em busca de outra pessoa. Quem sabe não é você, querido leitor? Pois esteja preparado, não vacile, agarre-a, faça as suas vontades e arraste ela contigo até o caixão. Infeliz do homem que ao ganhar a “Sorte” a perde logo em seguida, pois viverá o resto da existência procurando desculpas para algo sem jeito.
Quando a sorte parte ela leva consigo seus amigos, seus bens, suas virtudes, sua moral. Não pense você que aquilo que possui de fato é seu, não, ele pertence à sorte, quando ela te deixar levará tudo e você se já não apagou será como um defunto vivo. Essa é a sina de todos os afortunados.
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