Demorou, mas a árvore velha voltou a dá frutos. A cultura em nossa região, em fim, teve seu momento de júbilos. Foram dois dias de muitas manifestações culturais, de apresentações de trabalhos artísticos, do público em convívio com os artistas. Tentou através de uma feira mostrar a riqueza da nossa região, algo que transcende o horizonte, não conseguiu pela grandeza e diversidade dos temas, todavia a luz que adormecia na noite negra e escura em um pipocar de relâmpago se acendeu. Não podemos ter certeza do futuro, já que não somos videntes, do presente podemos e devemos comentar. O povo se encantou com o evento, isso por si só mostra o sucesso das tradições locais.
Foram dois dias para a cultura, tempo limitado, mas como recomeço foi ótimo. Para os eventos vindouros precisaremos de um período maior, troquemos o nome de Feira das Cidades por Semana da Cultura. Há muito para se expor e para se apresentar, desta forma carece de maior tempo. Muita gente boa deixou de participar, pelo simples fato de não haver um trabalho contínuo e efetivo na área da cultura. Precisamos conhecer melhor as nuances da querida terra, que ao contrário do que muitas pessoas pensam não se faz apenas do território em si. Fiquei surpreso ao ver amigos, que sequer sabia das suas habilidades, ao lado das suas artes. Na falta de visão, na falta de um caminho, o artista se alto inibi e se fecha no anonimato. Em um Município onde o Poder Público é a mola de sustentação esse deve criar e dar oportunidade para que seus valores brilhem e mostrem para o mundo nossas capacidades.
O que ainda sobrevive das manifestações culturais é fruto da insistência e do amor de certos indivíduos, que poderemos denominá-los de Homens Folclóricos. Por que Homens Folclóricos, por certo, alguém indagará. Homens pelo simples fato de ainda gozarem da vida e folclóricos porque são seres em ritmo acelerado de extinção. Como a arte se flui de várias formas e cores eu também me vejo ligado a essa grande comunidade de artistas, pelas fotos ou pelos textos, não sou grande em nada que faço, mas tento realizar o melhor daquilo que me coloco a fazer. Desta forma, sempre participo dos eventos, não como um artista ativo, todavia como um bom observador, sem falar que minha arte é a representação das artes dos outros, arte se transformando em arte. Neste curto tempo comecei a me inteirar da vida por traz de cada manifestação, conheci pessoas muito interessantes, são seres que não medem esforços na tentativa de perpetuar ou levar adiante o sonho que seus ancestrais os incumbiram de preservar. Tarefa árdua e difícil, pois na maior parte são seres que não dispõem de recursos para sustentar suas atividades artísticas. Precisamos no decorrer de um evento para o outro nos estruturar e dá condições para que nossos artistas continuem a nos encantar.
Em um passado perto nossa cidade possuía um grupo de teatro, não sei quais foram as causas, o certo é que como tantas outras coisas boas essa também se desfez. Na noite do dia dezessete de abril, na Feira das Cidades, um grupo de Teatro se apresentou para o povo de Paramirim e acabou por nos encantar. Os seus componentes eram todos jovens, já foi comentado em um texto anterior, mas é sempre bom frisar: “Os jovens precisam de algo que façam com que eles se sintam valorizados”. Existem dois caminhos para se alcançar: ou pelo esporte ou pela participação em trabalhos culturais.
Embora o espaço seja pequeno e o tema vasto ainda assim vale muito quando falamos ou escrevemos na tentativa de buscar sempre se aperfeiçoar. Há pessoas que passam a vida inteira tentando impor ideologias impregnadas de fanatismo político ou religioso. Apenas trago um novo ponto de vista. Talvez, ou com certeza, esse venha estar equivocado, se tiver, não pense duas vezes em embolar a folha escrita e lançá-la ao fogo, desta forma estará poupando o tempo precioso de outrem.
A estrada é longa, demos o primeiro passo, difícil, mas o bom é que já podemos vislumbrar o sol, ele está logo ali, logo atrás da montanha, sigamos sempre em busca da luz, pois na sombra só há uma cor, a mesmice do nada.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
09/06/2010
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