O povo de Paramirim como em um simples toque de mágica deixou a letargia em que se encontrava e se viu enrolado na sua singela ociosidade. Quando viemos em si demos conta que erramos ricos, porém até então não sabíamos. Mas a riqueza que parecia nos pertencer já avivou o interesse de outrem.
Há quanto tempo terminara a obra? Dez, quinze anos? Tempo mais que suficiente para termos buscados recursos para possíveis e rendosos projetos. Todavia nós na nossa preguiça preguiçosa apenas nos satisfazíamos em gloriar da posição em que nos encontrávamos. Lembremos um belo poema de Eduardo Alves da Costa (No caminho, com Maiakóvski):
“Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.”
A tristeza maior é ver nossos colegas, filhos e parentes se aventurarem para bandas distantes a procura do que fazer, tendo sempre o medo de tão logo também sermos obrigados a ingressar na marcha dessa imensa legião. Se nesse tempo perdido tivéssemos lutados juntos, com certeza teríamos conseguido nossos propósitos. Antes lutaríamos por uma solução, agora se entrarmos na luta será para perder. Tudo caminha para um ponto e todas as argumentações parecem vazias comparadas a necessidade de ter um pouco de água. O que seria de Paramirim e região se os homens do passado não tivessem metido as mãos na busca da construção da Barragem? Nos tempos de secas tornaria impossível a sobrevivência por aqui.
A população cresceu e com ela a demanda por água seguiu o seu rastro. O Rio Paramirim já mostra sinais nítidos de deterioração. De quem é a água do Zabumbão? Do Governo, da CODEVASF, da EMBASA, de PARAMIRIM...? Quem arcará com a revitalização do Rio? Paramirim recebe a água de Érico Cardoso, Paramirim hoje está implantando um sistema de esgotamento sanitário. Érico Cardoso tem um sistema de tratamento de esgoto? Qual o interesse de Érico Cardoso em cuidar de algo que será vantajoso para outro município? Se a água fosse de Paramirim esses problemas também os seriam? Mas ninguém deseja problemas, apenas gostamos dos lucros. Levando a água para Ibipitanga, Macaúbas e Boquira, os problemas com o Rio passarão a ser de quem? Certamente, acreditamos, que de ninguém. O curso seguirá seu ritmo de descaso e pouco caso. Em vez de discutirmos se a água vai ou não devemos antes nos entender quais os meios mais fáceis e rápidos para salvar nosso manancial.
Esperamos que nas próximas edições, se Deus nos permitir, possamos voltar a refletir um pouco mais sobre este tema tão importante para nossa região.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
12/02/2011
Há poucos dias houve um movimento envolvendo os moradores da região que fica na parte baixa do Rio Paramirim, local que receberá o líquido resultante do processo de tratamento do esgoto do Município de Paramirim. O movimento em si não conseguiu mobilizar a população, mas foram encaminhadas ao Poder Judiciário suas queixas. Como não houve grande repercussão poucos ficaram sabendo do fato. Contudo a preocupação dos moradores tem respaldo.
Na localidade do São João (Comunidade de Paramirim), local onde se cultiva hortaliças, o medo dos agricultores é de que suas culturas sejam contaminadas pelo resíduo do esgoto. Na Audiência Pública ocorrida em Paramirim dias antes do início das obras de construção do sistema de esgotamento sanitário foi explanado de forma não muito convincente como se daria o tratamento. Na ocasião esteve presente o Presidente da CODEVASF, o mesmo confirmou várias melhorias a serem realizadas no Rio Paramirim. Os trabalhos começaram nas ruas e avenidas, os planos divulgados foram descumpridos. A possível revitalização do Rio Paramirim, comentado pelo Presidente, ainda não saiu do papel.
Quando se vai a frente mostrar o verbo tudo que se quer pronunciar é solto ao ar. Sabemos, todavia, que pouca garantia há nessas palavras. Quando se diz que o líquido resultante do tratamento estará dentro dos padrões sanitários isso não quer dizer que de fato estará como o mencionado. Na Audiência falaram e muito que cada rua aberta seria fechada no máximo de quinze dias, o que foi visto foram ruas com mais de três meses abertas, que acabou trazendo muitos transtornos aos moradores e pedestres. Será que devemos confiar nas palavras? Será que deixaremos de lançar o esgoto na Lagoa para despejá-lo no Rio? Os moradores das Comunidades e dos Municípios abaixo da sede de Paramirim têm toda razão em estarem preocupados.
Uma alternativa seria bombear essa água para os terrenos secos e lá usá-la para plantação de árvores. Nossa região possui uma grande quantidade de cerâmicas, a necessidade de lenha é imensa, se tivéssemos como abastecer esses fornos sem as árvores da Caatinga já seria um grande avanço. Uma árvore que vem sendo muito elogiada por aqui é o Nim, ela tem crescimento rápido, sua madeira é nobre e de suas sementes podem ser feito vários produtos. Outra árvore é a algaroba, muito conhecida.
Como sabemos que aquilo que foi posto no papel será executado, em termo de obra, nos posicionamos para futuras reivindicações. Sabemos que quando se faz algo trás no seu rastro muitos desconfortos, com o tempo tende a serem resolvidos, ou acrescentados aos problemas diários daqueles que convivem no ambiente. Nos dias atuais poucos estão dispostos a lutar por causas que não lhe dizem respeito em termos monetários. Se me fere no patrimônio, devo reivindicar, se não, o problema é de outro. O que vigora hoje, neste mundo materialista, é o fato de lucrar em tudo. Se não existe lucro, não existirá luta. As comunidades se enfraquecem a medida que sua população se distancia, se torna estranha uma pessoa para com a outra. Você se lembra qual foi o último movimento que nossa sociedade se uniu em favor?
O problema existe e não podemos tentar tapá-lo com vista ofuscada. Existe tempo ainda para ser discutido. O povo quando se cala transparece paz e satisfação. Como diz um velho, porém sábio ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. Remédio, nos atuais dias, “É caro pra chuchu”, mas chuchu é barato, então “É caro pra dedéu”, nem sei o que significa dedéu.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
01/01/2011
O povo que menospreza os seus valores, que desfaz dos seus bens, que se faz de esquecido para cuidar do seu patrimônio, sem saber, ou ignorando, caminha rumo à miséria dos haveres e também da moral.
Fato que podemos observar nas redes sociais da Internet é a prática abusiva que o povo paramiriense vem causando a um dos nossos maiores ponto de atração turística, a Pedra do Sobrado (mais conhecida por estar situada na comunidade de Santana como Pedra da Santana, Pedra de Santana ou como foi registrada Pedra do Bandeira). Volta e meia deparamos com uma fotografia deste ponto, seria para nos orgulhamos ao ver essa raridade divulgada pelo mundo todo, mas o que nos traz a escrever algo sobre a Pedra serve apenas como alerta, pois da forma que conduzimos a conservação dos nossos bens em pouco não a teremos mais. Por mais que idealizamos a força das três pequenas pedras a segurar uma bem maior não podemos deixar de frisar que o peso de dez, vinte pessoas sobre a mesma não causará nenhum dano. Puro engano o nosso, quem lá for, dê uma olhada na superfície da pedra maior e veja a marca do desgaste já nítido.
Alguém irá perguntar: “O que fazer?”. Algumas fórmulas simples podem surtir efeitos benéficos. Primeiro deveríamos, ao menos, colocar nesses pontos placas informativas dizendo o que se pode e o que não se pode fazer. Acreditamos que apenas com essa medida mais de noventa por cento das pessoas que subiam na pedra não as farão mais. Nós humanos precisamos sempre de algo para nos guiar, se não existe parece que tudo se pode, é o mesmo que um país desprovido de uma Constituição.
Se fossemos uma cidade turística talvez tivéssemos guias que ajudassem na preservação, mas como estamos longe dessa maravilhosa marca, não conseguimos obter das nossas belezas rentabilidade e empregos. Enquanto nosso vizinho Rio de Contas se privilegia por explorar seus recursos de forma mais racional, nós deixamos de criar valor correndo-se o sério risco de ferir nosso já debilitado patrimônio. Na comunidade de Santana poderia ser criado um cargo de guia para o ponto mencionado, um guia que pudesse contar e falar do nosso Município e ao mesmo tempo ser responsável pela preservação do local. Quem lá quisesse ir que para isso pagasse uma pequena quantia.
Além da Pedra existem outros pontos a serem citados. O Balneário do Rio Paramirim tornou-se pequeno para o grande número de visitantes, com isso muitos problemas antes pequenos crescem, o lixo, por exemplo, se não ter o devido cuidado esses resíduos irão poluir o rio leito abaixo. Outra realidade nociva acontece nos Sítios Arqueológicos Rupestres encontrados no nosso Município, a prática predatória de pichação e vandalismo está levando-os ao seu rápido declínio, antes mesmo de muitos os terem conhecido.
Precisamos de pessoas ou da criação de um órgão que tenha iniciativa e recursos para que possa desempenhar um papel produtivo na área da preservação do nosso patrimônio. Colocar placas educativas, vistoriar as necessidades latentes de cada ponto e investir na educação poderia nos posicionar no cenário brasileiro como um lugar a ser visitado e explorado.
Ou abrimos os olhos aos nossos problemas ou teremos um profundo desgosto em mostrar aos nossos filhos e netos uma cidade sem cultura, sem identidade, sem algo que predam seus filhos e faça-os que tenham prazer em falar deste belo local.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
07/11/2010
Já havíamos concluído o texto para esta coluna, mas pelos afazeres diários esquecemo-nos de enviá-lo ao redator do jornal, contudo após o 16 de Setembro resolvemos falar sobre outro assunto, pois o tema ainda quente exigia uma resposta rápida.
Foi com grande alegria assistir ao Desfile Cívico passar mais uma vez pelas principais avenidas da cidade. O Município de Paramirim em peso se fez presente. Para uma data tão especial, aniversário da terra (16 de Setembro), nada mais justo do que todas as Comunidades juntas para mostrar o valor que a data em si cobra. Nos dias atuais não é nada fácil trazer em um só local a quase totalidade de um povo. Sem bandeiras políticas, sem bandeiras religiosas, sem bandeiras esportivas, os munícipes se uniram no único intuito da realização de um ato cultural que se arrasta por muito tempo e que a cada ano se embeleza sempre mais.
Pelas divagações da mente voamos pelas entrelinhas dos fatos e paramos em dados que nos faz refletir sobre o que de fato é importante para uma cidade, um estado e mesmo um país. Qual terá sido o investimento monetário para a realização do Desfile? Dez mil, quinze...? Talvez bem menos. Com poucos recursos e boas ideias alcançamos espetacular resultado. Voltamos a falar nos festejos de Santo Antônio, já mencionamos em artigos passados, foge-nos o montante gasto, mas se pararmos apenas no dia 9 de junho onde Victor e Leo se apresentaram e fizermos um breve calculo veremos a quantia gasta. Quanto a Dupla cobrou? 100 mil? Nesta faixa. Quanto custa um dia de estrutura para o show (palco, som, mão de obra, etc), pois sabemos que são muitas as exigências? 10 mil? Não somos contra tais festas, apenas tentamos mostrar as possíveis diferenças. O dia nove passou e o que nos deixou? Nada. Poucos se lembram da data, pois fomos meros expectadores, com o desfile, não, a Sociedade foi participativa, a juventude carente de projetos mostrou o seu grande potencial.
Nos dias que antecederam o desfile pudemos notar nos rostos dos que iriam participar os traços da preocupação, do compromisso, da vontade de mostrar ao mundo do que eles são capazes. Falamos muito em drogas, violência, mas deixamos de fazer o simples, o básico, deixamos de dar aos nossos jovens ocupações saudáveis que eleva a auto-estima e faz com que os mesmos se desenvolvam. Nossa Sociedade anda carente de atos culturais que trabalhem de forma integrada e em grupo os nossos jovens. Voltamos aos festejos a Santo Antônio. No ano que vai sendo consumido pelos passos lentos do tempo notamos a falta de participação do setor de educação na elaboração deste. No passado houve maior engajamento dos professores na elaboração dos atos culturais dos festejos. Ouvimos muito pelos abundantes comentários nas ruas a necessidade de se reestruturar os festejos juninos. Organizar quadrilhas, danças, brincadeiras... O tema é farto, todavia o espaço aqui pequeno, acreditamos que daria para escrever um livro, contudo nos esprememos e tentamos apenas mostrar um ponto, não sei se diferente, foge a realidade vigente.
Gostaríamos de agradecer a Secretaria de Educação e todo o seu corpo de colaboradores que não mediram esforços para que o desfile se realizasse. Gostaríamos também de agradecer ao Prefeito Júlio Bernardo que apoiou a ideia. E agradecer a todos os estudantes que fizeram parte deste grande teatro a céu aberto. Por um dia, ou por uma tarde, fomos um povo unido, um povo participativo, um povo feliz.
Viva, Paramirim!!!
Viva a nossa querida Sociedade
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
29/09/2010

O trânsito é hoje um meio essencial para a sociedade vigente. Pensar no passado remoto, onde o jumento era o principal meio de transporte, e observar o que temos nas estradas; habitante que vivera naquele tempo sem ter participado desta evolução se abrisse seus olhos para o atual momento acreditamos que o pobre se sentiria em outro planeta na companhia de extraterrestres. O trânsito evoluiu e com ele o Estado se colocou na obrigação de Legislar. Foi instituído, por esse motivo e outros, o Código de Trânsito Brasileiro. Os pedestres e motoristas passaram a ser governados por leis. Todos os motoristas se viram obrigados a possuir sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mas da mesma forma que os cidadãos começaram a ter deveres, com o Estado não poderia ter sido diferente.
Vamos esquecer o restante do Brasil e nos concentramos apenas no nosso Município. A Lei diz: “Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código.” (Código de Trânsito Brasileiro. Capítulo V do Cidadão. Art. 72.) É dever de cada cidadão cobrar do órgão responsável formas que faça do trânsito um meio mais seguro.
No Artigo seguinte o mesmo se blinda quanto ao artigo anterior: “Os órgãos ou entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito, dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não de atendimento, esclarecendo ou justificando a análise efetuada, e, se pertinente, informando ao solicitante quando tal evento ocorrerá” (Código de Trânsito Brasileiro. Capítulo V do Cidadão. Art. 73). O Código nos dá a oportunidade de cobrar, porém o mesmo no Artigo seguinte se ver livre de cumprir, apenas há a exigência de uma resposta. Desta forma, se nós cobrássemos destes órgãos, com certeza, não teríamos o que desejamos.
O tráfego nas principais ruas e avenidas da cidade no período matutino, por ser mais intenso, torna-se esse lugares vulneráveis a acidentes. Na avenida principal (Dr. Aurélio Justiniano Rocha) há ocasiões dos ônibus, estacionados nos dois sentidos e próximos as esquinas, não podemos deixar de mencionar que esta avenida por ter sido criada em tempos antigos se fez bastante estreita (já que era apenas para a passagem de animais e homens), acaba obstruindo a visão dos que trafegam pelo local. Há poucos dias um munícipe foi atropelado ao atravessar a rua. A falta de visão que esses veículos altos acabam impondo, segundo testemunhas, foi a causa do acidente. Ao sair desta zona obscura o pedestre não havia deixado se ver e o motorista (este um motociclista) se deparou, de repente, com o obstáculo. O resultado acabou sendo a colisão.
Outro ponto que merece destaque é o entorno da feira livre nos dias de sábados. Além do tráfego intenso neste dia, a BA152 corta o espaço reservado à feira e a parte antiga da sede. Em um território onde não existe sinalização o risco de acidentes é muito alto. A cidade não carece de sinalização em todas as ruas e avenidas, de início apenas nas de maior movimento.
Os municípios a cada dia ganham mais e mais automóveis e crescem em números de habitantes, desta forma, para guiar isso tudo se precisa que as autoridades busquem meios para educar aqueles que usam as vias e desta forma minimizar os possíveis efeitos nefastos que podem vir a ocasionar. Para uma boa conduta no trânsito, antes de qualquer coisa, o Poder Público deveria proporcionar condições adequadas para condutores e pedestres. Na falta de sinalização parece que tudo pode. Do caos só podemos esperar atritos, confusões e violências. Como desejamos nossa cidade bonita e acolhedora devemos urgentemente cuidar do trânsito que por ela faz uso.
Apontamos apenas uma direção a ser seguida... podemos estar errados, podemos... mas fazemos a nossa parte quando mostramos pontos vulneráveis do nosso Município.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
17/08/2010
Pensar em tradições nos remete para as coisas do passado, falar em tradições nos coloca como observadores do caminho que acabou por nos deixar neste exato ponto onde nos encontramos. A Palavra “Tradição” no Dicionário Aurélio quer dizer:
1. Ato de transmitir ou entregar.
2. Transmissão oral de lendas, fatos, etc., de idade em idade, geração em geração.
3. Transmissão de valores espirituais através de gerações.
4. Conhecimento ou prática resultante de transmissão oral ou de hábitos inveterados.
5. Recordação, memória.
6. E. Ling. O conjunto dos testemunhos [ v. testemunho (5) ] , conservados ou desaparecidos, em que se materializou um texto ao longo do tempo.
Passamos por um período onde a sociedade transborda na criação de novos valores e conceitos. Hoje, como nunca cada indivíduo se insere nesta construção, a opinião, as ideias da minoria, que antes não ecoavam, agora vibram fortes e exigem respeito. Estamos todos conectados, ou quase todos, mas breve a população mundial verá suas barreiras destruídas, suas bandeiras transformada em uma só, uma única nação.
O momento é propício, todos têm voz, todavia corre-se o risco de nos entregarmos ao modismo dos grandes centros. Possuímos a voz, mas preferimos seguir as dos ditos famosos. Trocar ou não nossas crenças, nosso estilo de vida? A beleza das manifestações culturais perde espaço, sobram eventos carentes de emoção. Talvez seja este o caminho que devamos seguir, talvez. Contudo este caminho que é colocado a nós, talvez não seja o ideal, talvez.
Devemos discutir o que de fato queremos para nossa cidade, para nós mesmos e para nossos filhos. Alguns querem apagar nossa história, outros apenas desejam esquecê-la, outros veem nela um pilar para as futuras conquistas. Somos desta geração, qual tristeza não será a nossa, daqui a alguns anos termos nossas realizações varrida do repertorio do Município.
Nossos festejos em louvor a Santo Antônio passaram, fluíram na plena paz. Houve muitos investimentos, grandes nomes da música nacional aqui se apresentaram. De fato dois dias merecem destaque, nunca vimos tanta gente na cidade como nos dias nove e doze de junho, parecia com as ruas de Bom Jesus da Lapa na época de romaria. No entanto, os festejos começaram no dia primeiro e só foi ter seu termino no dia treze. Na parte das atrações, creiamos que não temos nada a reclamar, somos um povo satisfeito, mas olhando para a parte das tradições juninas, confessemos, andamos de pernas bambas. Como já foi dito antes, talvez seja a nova realidade, talvez.
Temos uma visão diferente, olhamos para a cultura como pólo propulsor de fonte de renda. Uma cidade onde possui alto teor cultural se sobrepõe a grande maioria. Estamos chegando a um momento crucial, onde as atrações já não mais influenciarão no público de festas populares. Toda cidade consegue trazer artistas, o que era novidade está virando algo banal, puro modismo. Quem morando a quinhentos, mil quilômetros viajará para nossa cidade para assistir a um show de um cantor que acabou de tocar ao lado de sua casa?
Devemos olhar com bons olhos, discutirmos, criarmos um grupo que coordene essas manifestações, e claro, investir recursos financeiros para que nossos artistas possam de fato desenvolver seus dons.
A diferença da crítica para a sugestão é que a crítica nada constrói e a sugestão tem o poder de abrir o dialogo para melhorar nossa situação. O povo precisa dialogar mais, expressar sua opinião, mas para que isso tenha algum efeito deve haver uma comissão disposta a ouvir e discutir os pontos abordados.
Tivemos de fato dois dias de shows, os demais poderíamos ter usado para mostrar nossas tradições. Alguma coisa está errada, ou encontramos atolado no erro. Ainda sobrevive um grupo onde seus participantes são quase todos jovens, para esse grupo batemos palmas, pois com todas as dificuldades consegue apresentar algo de qualidade. Parabéns aos participantes e organizadores da “Dança Portuguesa”. Parabéns também ao Vereador “Antônio Maria” (popular Tõe de Geralda), se não fosse ele em alguns momentos muita coisa deixaria de acontecer. Parabéns também ao Prefeito “Júlio Bernardo”, pois com todas as dificuldades ainda assim conseguiu realizar nossos festejos.
“Os atos de um povo é o reflexo das suas tradições”.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
08/07/2010
Demorou, mas a árvore velha voltou a dá frutos. A cultura em nossa região, em fim, teve seu momento de júbilos. Foram dois dias de muitas manifestações culturais, de apresentações de trabalhos artísticos, do público em convívio com os artistas. Tentou através de uma feira mostrar a riqueza da nossa região, algo que transcende o horizonte, não conseguiu pela grandeza e diversidade dos temas, todavia a luz que adormecia na noite negra e escura em um pipocar de relâmpago se acendeu. Não podemos ter certeza do futuro, já que não somos videntes, do presente podemos e devemos comentar. O povo se encantou com o evento, isso por si só mostra o sucesso das tradições locais.
Foram dois dias para a cultura, tempo limitado, mas como recomeço foi ótimo. Para os eventos vindouros precisaremos de um período maior, troquemos o nome de Feira das Cidades por Semana da Cultura. Há muito para se expor e para se apresentar, desta forma carece de maior tempo. Muita gente boa deixou de participar, pelo simples fato de não haver um trabalho contínuo e efetivo na área da cultura. Precisamos conhecer melhor as nuances da querida terra, que ao contrário do que muitas pessoas pensam não se faz apenas do território em si. Fiquei surpreso ao ver amigos, que sequer sabia das suas habilidades, ao lado das suas artes. Na falta de visão, na falta de um caminho, o artista se alto inibi e se fecha no anonimato. Em um Município onde o Poder Público é a mola de sustentação esse deve criar e dar oportunidade para que seus valores brilhem e mostrem para o mundo nossas capacidades.
O que ainda sobrevive das manifestações culturais é fruto da insistência e do amor de certos indivíduos, que poderemos denominá-los de Homens Folclóricos. Por que Homens Folclóricos, por certo, alguém indagará. Homens pelo simples fato de ainda gozarem da vida e folclóricos porque são seres em ritmo acelerado de extinção. Como a arte se flui de várias formas e cores eu também me vejo ligado a essa grande comunidade de artistas, pelas fotos ou pelos textos, não sou grande em nada que faço, mas tento realizar o melhor daquilo que me coloco a fazer. Desta forma, sempre participo dos eventos, não como um artista ativo, todavia como um bom observador, sem falar que minha arte é a representação das artes dos outros, arte se transformando em arte. Neste curto tempo comecei a me inteirar da vida por traz de cada manifestação, conheci pessoas muito interessantes, são seres que não medem esforços na tentativa de perpetuar ou levar adiante o sonho que seus ancestrais os incumbiram de preservar. Tarefa árdua e difícil, pois na maior parte são seres que não dispõem de recursos para sustentar suas atividades artísticas. Precisamos no decorrer de um evento para o outro nos estruturar e dá condições para que nossos artistas continuem a nos encantar.
Em um passado perto nossa cidade possuía um grupo de teatro, não sei quais foram as causas, o certo é que como tantas outras coisas boas essa também se desfez. Na noite do dia dezessete de abril, na Feira das Cidades, um grupo de Teatro se apresentou para o povo de Paramirim e acabou por nos encantar. Os seus componentes eram todos jovens, já foi comentado em um texto anterior, mas é sempre bom frisar: “Os jovens precisam de algo que façam com que eles se sintam valorizados”. Existem dois caminhos para se alcançar: ou pelo esporte ou pela participação em trabalhos culturais.
Embora o espaço seja pequeno e o tema vasto ainda assim vale muito quando falamos ou escrevemos na tentativa de buscar sempre se aperfeiçoar. Há pessoas que passam a vida inteira tentando impor ideologias impregnadas de fanatismo político ou religioso. Apenas trago um novo ponto de vista. Talvez, ou com certeza, esse venha estar equivocado, se tiver, não pense duas vezes em embolar a folha escrita e lançá-la ao fogo, desta forma estará poupando o tempo precioso de outrem.
A estrada é longa, demos o primeiro passo, difícil, mas o bom é que já podemos vislumbrar o sol, ele está logo ali, logo atrás da montanha, sigamos sempre em busca da luz, pois na sombra só há uma cor, a mesmice do nada.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
09/06/2010
Demorou, mas a árvore velha voltou a dá frutos. A cultura em nossa região, em fim, teve seu momento de júbilos. Foram dois dias de muitas manifestações culturais, de apresentações de trabalhos artísticos, do público em convívio com os artistas. Tentou através de uma feira mostrar a riqueza da nossa região, algo que transcende o horizonte, não conseguiu pela grandeza e diversidade dos temas, todavia a luz que adormecia na noite negra e escura em um pipocar de relâmpago se acendeu. Não podemos ter certeza do futuro, já que não somos videntes, do presente podemos e devemos comentar. O povo se encantou com o evento, isso por si só mostra o sucesso das tradições locais.
Foram dois dias para a cultura, tempo limitado, mas como recomeço foi ótimo. Para os eventos vindouros precisaremos de um período maior, troquemos o nome de Feira das Cidades por Semana da Cultura. Há muito para se expor e para se apresentar, desta forma carece de maior tempo. Muita gente boa deixou de participar, pelo simples fato de não haver um trabalho contínuo e efetivo na área da cultura. Precisamos conhecer melhor as nuances da querida terra, que ao contrário do que muitas pessoas pensam não se faz apenas do território em si. Fiquei surpreso ao ver amigos, que sequer sabia das suas habilidades, ao lado das suas artes. Na falta de visão, na falta de um caminho, o artista se alto inibi e se fecha no anonimato. Em um Município onde o Poder Público é a mola de sustentação esse deve criar e dar oportunidade para que seus valores brilhem e mostrem para o mundo nossas capacidades.
O que ainda sobrevive das manifestações culturais é fruto da insistência e do amor de certos indivíduos, que poderemos denominá-los de Homens Folclóricos. Por que Homens Folclóricos, por certo, alguém indagará. Homens pelo simples fato de ainda gozarem da vida e folclóricos porque são seres em ritmo acelerado de extinção. Como a arte se flui de várias formas e cores eu também me vejo ligado a essa grande comunidade de artistas, pelas fotos ou pelos textos, não sou grande em nada que faço, mas tento realizar o melhor daquilo que me coloco a fazer. Desta forma, sempre participo dos eventos, não como um artista ativo, todavia como um bom observador, sem falar que minha arte é a representação das artes dos outros, arte se transformando em arte. Neste curto tempo comecei a me inteirar da vida por traz de cada manifestação, conheci pessoas muito interessantes, são seres que não medem esforços na tentativa de perpetuar ou levar adiante o sonho que seus ancestrais os incumbiram de preservar. Tarefa árdua e difícil, pois na maior parte são seres que não dispõem de recursos para sustentar suas atividades artísticas. Precisamos no decorrer de um evento para o outro nos estruturar e dá condições para que nossos artistas continuem a nos encantar.
Em um passado perto nossa cidade possuía um grupo de teatro, não sei quais foram as causas, o certo é que como tantas outras coisas boas essa também se desfez. Na noite do dia dezessete de abril, na Feira das Cidades, um grupo de Teatro se apresentou para o povo de Paramirim e acabou por nos encantar. Os seus componentes eram todos jovens, já foi comentado em um texto anterior, mas é sempre bom frisar: “Os jovens precisam de algo que façam com que eles se sintam valorizados”. Existem dois caminhos para se alcançar: ou pelo esporte ou pela participação em trabalhos culturais.
Embora o espaço seja pequeno e o tema vasto ainda assim vale muito quando falamos ou escrevemos na tentativa de buscar sempre se aperfeiçoar. Há pessoas que passam a vida inteira tentando impor ideologias impregnadas de fanatismo político ou religioso. Apenas trago um novo ponto de vista. Talvez, ou com certeza, esse venha estar equivocado, se tiver, não pense duas vezes em embolar a folha escrita e lançá-la ao fogo, desta forma estará poupando o tempo precioso de outrem.
A estrada é longa, demos o primeiro passo, difícil, mas o bom é que já podemos vislumbrar o sol, ele está logo ali, logo atrás da montanha, sigamos sempre em busca da luz, pois na sombra só há uma cor, a mesmice do nada.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
01/05/2010
Paramirim passa por um período de crescimento, a sede do município a cada ano ganha novos loteamentos, a cidade começa a se alargar em suas extremidades, aquele lugarzinho gostoso e pacato aos poucos se transforma em um ambiente diferente. Gosto muito de sair pela nossa cidade a fotografar, às vezes, deixo-me levar pelas imagens, vou adentrando onde o novo me fisga a atenção. O crescimento é visível, mas será que o desenvolvimento acompanha esse estado de mudanças?
Sou de uma época em que ao sair do colégio tinha a frente às portas das faculdades fechadas, ou possuía recursos ou frustrava o sonho de estudar. Hoje vejo o quanto foi benéfico aos filhos daqueles que detinha o capital e assim o usaram na educação dos seus filhos, muitos retornaram e no momento são os que destacam na nossa sociedade. Sem educação não há desenvolvimento, acredito que já se ouviu essa frase antes.
Nos dias atuais a preocupação dos jovens, na sua grande maioria, se pauta na busca de se especializar em um dado ramo, todos almejam seu lugar em uma universidade. Só não estuda quem não deseja ou não possui vocação. O grande alento nosso será ver essa leva de estudantes retornarem a nossa terra como doutores, como profissionais qualificados a darem continuidade ao desenvolvimento do ambiente. As mudanças passarão a ser mais rápidas. Nos dez anos vindouros veremos muitas transformações. Antes o que mandava era o patrimônio de cada um, passou-se agora ao capital intelectual. Não basta mais apenas a riqueza, riquezas por riquezas tantos detêm. Os tempos atuais exigem do ser humano uma postura diferente para ter êxito. Aquele que ignorar a educação estará se lançando a um mar de coisas ruins, pois não haverá espaço para esse tipo de gente, o trabalho pesado será exclusivamente das máquinas, já anda em curso, ao homem o uso da inteligência.
Entramos em uma fase de transição, período de muitas colisões, de euforias e de impunidades. Para nossa cidade não se transformar num faroeste de filmes americanos a Lei deve se postar atenta aos distúrbios que já se fazem presentes e outros que virão a nos importunar. Deixar esse rio bravo descer seu curso trazendo muitas destruições às propriedades, antes prever e conter com barragens e desvios. O rebanho precisa ser guiado por um bom pastor, a sociedade necessita que se cumpra o que emana a Constituição.
Passamos a ser cobrados, todos querem o profissionalismo, amadorismo em qualquer ramo de negócio quer dizer atraso, descaso, ociosidade, negativismo que envolve seu campo de atuação. Nas muitas das vezes pelos hábitos da sociedade que fazemos parte não conseguimos ver ou tentamos disfarçar nossa imperfeição, todavia basta um olhar mais apurado, ou uma pessoa de fora do nosso convívio para perceber nossas fraquezas. Por mais que trabalhemos em grupo o aperfeiçoamento se faz individual, cada um deve procurar se especializar, buscar novos conhecimentos para poder se sobressair na nova conjuntura do desenvolvimento do mundo atual.
A sociedade da mesma forma que o ser humano, cresce, ganha corpo, contudo se não se desenvolver se transformará num monstro de vários membros. Os grandes centros por não terem tido planejamento se agigantou tomando todo o território em volta, o desenvolvimento foi muito aquém ao crescimento, o que podemos constatar hoje são cidades tomadas pelo terror, pelas catástrofes. Um corpo grande demais na falta de uma estrutura forte e arrojada não se sustenta. O país precisa dá aos seus cidadãos condições suficientes para que cada um possa buscar seu lugar, o cidadão precisa saber que sem seu esforço tudo que for feito em prol dele será em vão.
A luta pelo desenvolvimento é grande e de todos. Cabe a cada um buscar o conhecimento de que necessita para ter uma vida de comodidade e de paz. O lavrador que deitar na rede debaixo de uma gostosa sombra sem se preocupar com a sua plantação, com certeza, morrerá de fome. Existe uma tremenda concorrência, benéfico ao homem, a Evolução de Darwin em todo vapor, apenas os melhores terão vez, aos fracos, o puro e sombrio esquecimento. A Vida sempre em busca da perfeição. Não poderia ser de outro jeito.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
30/03/2010
Estes últimos meses foram um período muito turbulento para nossa cidade, acontecimentos tristes, perdas, abusos, loucuras, fatos que acabam por nos mostrar o tamanho ínfimo de nós humanos frente à abundância das peripécias da vida. Basta um estalar de dedos, e o que foi já não se é mais. É muito duro olhar a cadeira e constatar que aquele que ali se sentava jamais voltará a se acomodar, jamais trocaremos conversas, para sempre se perdeu os sonhos. O vazio que como uma densa e negra nuvem passa a envolver o coração acaba por nos tornar num novo indivíduo. A alegria dos lábios perdeu-se deixando um mero sorriso tímido; o brilho intenso do olhar já não fascina tanto; a beleza do ambiente ofuscou-se na confusão das perdas e das muitas interrogações. Um dia foi daquele jeito, hoje, só retalhos de momentos vividos, lembranças vivas de momentos inesquecíveis. O rio da vida segue destemido seu curso, em suas margens os cadáveres fruto da sua estupenda e magnífica força.
Falar na partida quando milhares já tentaram primeiro parece morto o que poderemos tentar expor, se não a quietude da morte apenas as mesmices proferidas nos funerais. Acrescentar o quê quando tentamos explicar o fim. Muitos desejam consolar sem saber que os lugares comuns dos quais falam apenas servem para afagar um pouco dos seus próprios medos. Palavras são lindas, mas a realidade supera toda a poesia. A dor deixada aos entes e amigos inimagináveis talvez para aqueles que sem saber negligenciaram as regras da vida acaba produzindo um vácuo entre a loucura e a razão.
O homem de hoje não teme, ele pensa, sem saber pensar, que a sua volta tudo pode acontecer menos a si mesmo; que o caixão serve a todos os mortais, menos a si que tem uma vida eterna; santo engano, pura ignorância. Pisa fundo no acelerador, ou bebem todas e pega no volante, choca-se de frente com vidas que não partilhava das mesmas demências, acaba por arrasar famílias, a levar dores aos seus pais e familiares. Quando se dão conta o laço da vida apenas se sustenta por uma fina linha, basta um rufar leve de vento para tudo se esvair. Tínhamos muito, ou achávamos ter, passado, são pétalas soltas ao chão.
Neste mundo pensante, onde a comunidade necessita das leis para não desmoronar, relegar a filosofia a uns poucos intelectuais, acreditamos não ser esse um porto seguro, pois o homem que não raciocina sobre as nuances da existência estará fardado a falhar por ignorar as causas de seus possíveis deslizes. A juventude anda perdida em meio à macambira, xiquexique e pedregulhos, corre desvalida sem saber a direção, fere-se, machuca-se, tanto ao próprio ser como aos outrem. As pessoas precisam conhecer o valor real de estarem vivas. Qual a sua importância perante o mundo, para com os amigos e entes. Conversar e procurar respostas para os mistérios que envolvem a vida. Sem a filosofia o homem não passa de um animal qualquer, dotado de recursos, que usa dos extintos, em vez da razão, por desconhecer o poder do discernimento. Esse animal social é bem mais perigoso do que o jacaré, o tigre ou até mesmo o leão, pois abusando das suas propriedades ataca sem estar coagido, ele mata por matar, um verdadeiro demônio vivo.
Nós temos o habito de cair em planto quando a cura parece distante. Prevenir pondo-se em um patamar que nos evite aborrecimento para depois não necessitarmos de um remédio milagroso. A vida por si só já é um tremendo risco, uma simples queda poderá ser suficiente para gigantescas transformações. Mas gostamos de correr risco, adoramos o perigo e com o andar dos dias, mais cedo ou mais tarde, a luz se apagará. As pessoas quando se colocam em risco sequer imaginam os aborrecimentos que deixarão de heranças aos seus chegados. Ignoram por completo todas as maravilhas que os cercam. Esquecem do amanhecer florido, romântico; não se dão conta do sabor da chuva; do vento que percorre o rosto; das conversas com os amigos; dos filhos a correrem aos seus braços. Pede-se muito por não saber pensar. A massificação dos valores, a mesmice que nos obrigam os canais de televisão acaba por tornar a sociedade num teatro onde seus atores não passam de marionetes. Dançamos, comemos, vivemos um mundo imposto. Nesse turbilhão perdemos nossa identidade e muitos a razão de se viver, sobra-nos o caos.
Temos uma vida, comparo-a a um aperto de mãos, de acordo aos atos esse laço pode ir se desfazendo aos poucos, ou de forma repentina e dolorosa. A dor da morte sobra aos que vivem, se o morto soubesse do estrago que acabou deixando para muitos ele dificilmente seria imprudente ao ponto do que fez. A loucura domina o mundo, o perigo corre por beco, esquinas, florestas, não basta apenas sabermos viver, precisamos de sorte, para assim, podermos escapar de muitos atritos; mas quem abusa da vida, sem saber corre contra a sorte e busca o perigo. Como um raio que desce e tão logo desaparece, rápido e bombástico, virou cinza, acabou.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
21/02/2010
“Preciso urgentemente de um banco novo, um banquinho de bar quem sabe, desejo esperar sentado, porque de pé assim não dá. Banco por banco sou mais um banquinho de praça, ou melhor, um de bar. Bancos de banqueiros, esses deixam pra lá”.
Já faz algum tempo que venho cultivando o desejo de escrever um breve texto onde abordaria uma prática que se arrasta há longas datas. Quanto tempo nós gastamos em filas de bancos? Em um dos dias do mês passado precisei ir a uma agência bancária, olhe, são raras as vezes que nesse recinto eu adentro; também, fazer o quê; aqueles que procuram bancos incessantemente ou são dotados de muitas posses ou estão falidos. Ao chegar deparei-me com umas quinze pessoas na fila. Postei-me na última posição. Não demorou mais que cinco minutos e o montante que havia se ingressado logo após a minha chegada já passava da quantidade primeira. Encontrava-se com apenas um caixa, entrou outro, atenderam dois clientes e o que estava saiu para almoçar. Começou o martírio... Algumas pessoas demoravam de dez a quinze minutos a serem despachadas. A fila, simplesmente, custava a avançar. Procurava um relógio em alguma das paredes e não o encontrava. De pé e impaciente aguardava minha vez.
Uma pequena empresa que possui um movimento considerável precisará dispor de um funcionário exclusivo somente para resolver os problemas que dizem respeito a essa ordem, já não bastasse à exorbitante carga tributária imposta. Os bancos inovaram com os atendimentos externos, de fato contribui e muito para a comodidade e rapidez no atendimento dos seus clientes, porém ignoram que o empreendedorismo cresceu vertiginosamente e que o quadro de atendentes é insuficiente para a demanda sempre crescente dos serviços. Ano após ano as instituições bancárias batem seus próprios recordes de lucratividade, o capitalismo obriga que todos usem esse tipo de sistema, desta forma somos lesados por existir uma pífia concorrência entre elas, já que são poucas as opções.
Muitos acusam os funcionários de serem lentos. Como não deve ser a agonia de alguém atrás de uma cabine vendo uma gigantesca fila a espera de atendimento. Não há sequer um momento para respirar, o tempo todo trabalhando, sem contar na alta responsabilidade. O trabalho em si é o de menos, pior fica por conta das ameaças constante de bandidos. O Banco do Brasil recebeu do Governo um contingente de policiais para tentar conter tais marginais. Sabemos do alto risco de ir a uma agência, pior fica quando precisamos nos prender em uma fila por mais de uma hora, o perigo sempre se agiganta.
Temos plena consciência que nosso querido Brasil sofre por carência de postos de trabalho, justamente onde existe uma maior quantidade de dinheiro é o local que menos se contrata. O Governo poderia dá o exemplo com o Banco que faz parte do seu patrimônio, todavia parece ser este o de pior atendimento, não pela qualidade dos seus funcionários, mas pela pequena quantidade destes. Enquanto uma legião de desempregados vaga de lugar a lugar a procura de trabalho somos obrigados a conviver diariamente com filas cada vez maiores.
Dizem que existe uma Lei que estipula o tempo máximo que uma pessoa pode ficar numa fila de banco. Há Leis para tudo neste nosso Brasil, mas Leis só têm alguma serventia se as mesmas são cumpridas. O que um caixa poderá fazer frente a uma fila de trinta a cinquenta pessoas? Se não houver novos Concursos, se a população não impuser suas queixas, a caminhada será nos passos de até então. Esse paraíso é tudo que os banqueiros desejam.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
18/01/2010
Na sociedade cada cidadão é uma célula. Na sociedade cada célula possui um significado para o sistema vigente. Já que somos células e temos nossas obrigações ao deixarmos de exercê-las abrimos fendas para que toda a obra entre em declínio. O caos social que consome as cidades é fruto do descumprimento das regras. Transferi para que outros resolvam aquilo que a nós é dado resolver acaba por delegar muito poderes a um ou a poucos cidadãos. Quando há concentração de poder e essa mesma encontra-se em poucas mãos o regime tende a se voltar a tirania.
Na noite do dia vinte e sete de novembro aconteceu no Centro Cultura Nabor Cayres de Brito uma Audiência Pública. Na ocasião a CODEVASF, também a empresa que fará a obra de esgotamento sanitário, várias autoridades e uma ínfima quantidade de munícipes estiveram presentes. Foi bastante divulgado o evento, mas como já era de se esperar, a grande massa preferiu assisti televisão a tentar resolver alguns ditames que poderão afetar toda a nossa população.
Nas muitas conversas que eu tenho sempre alguém aborda o problema da água, muitos dizem que pagamos caro, são bastantes as queixas, uns se revoltam. Após assistir essa audiência e ver o tamanho do interesse dessa gente fiquei paralisado. Da mesma forma que se sucedeu com a água acontecerá com o esgoto, vocês se escondem na ociosidade passando um grande poder para umas poucos autoridades. Ficará a nós o choro, a lamentação, mas a culpa não será dos que decidiram, todavia serão culpados os que eximiram do seu dever de cidadão. Se a água é cara, se pagamos por x metro cúbico, antes eu tinha uma visão distorcida, achava que era fruto de apenas uma canetada de uma autoridade, contudo sei que se a sociedade se levantar no momento certo para cobrar, para tentar entender o porquê, a coisa poderia hoje estar mais bem explicada ou adaptada de maneira a levar em conta a nossa situação.
Ao final houve um momento para que os ouvintes indagassem e deixassem suas idéias e opiniões. Estava ali o momento ideal para que aqueles que tanto cobram, enfim, cobrasse ou deixasse suas queixas às autoridades que possui o poder para mudar. Onde estava essa gente falante? Não sei dizer. Dormindo ao certo, ou quem sabe assistindo televisão.
A participação do povo frente aos problemas sociais a cada dia se faz mais importante. O mundo está passando por rápidas mudanças. São muitos fenômenos acontecendo ao mesmo tempo. Temos que debater com rapidez para tentar sanar muitas das mazelas existentes e das que logo advirão. Acredito que o pepino, fruto esse de toda a evolução humana parou em nossas mãos. Poderemos ficar na história por ter sido a geração que descascou o pepino, do mesmo lado poderemos ser a geração que viu o pepino apodrecer nas mãos lisas carente de trabalho.
Uma população ativa, bem informada, participativa causará mudanças incríveis em qualquer ambiente, trazendo soluções, riquezas ao seu meio. Pessoas pacatas, mudas, sem iniciativa serão vitimas eternas de um regime antigo. Podemos achar que nossas ideias se fazem de verdades, enquanto não conhecermos outros pontos poderá de fato ser, todavia nas muitas das vezes agarramos a pensamentos sem nexo com a realidade. Ouvir várias fontes para que ao final possamos encontrar o melhor caminho. Temos um ano para tentarmos algo. Até quando a televisão será mais importante que a sociedade em que se abita? Como diz o velho ditado: “Depois não adianta chorar o leite derramado”. Mas para as pessoas que gostam do sofrimento que sejam felizes com as suas dores. O pior de tudo isso é que todos nós seremos afetados.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
14/12/2009
“Água, o bem mais precioso da humanidade”. Acho que já ouvir essa frase em algum outro lugar. Quanto custa um copo com água? Quanto custa uma caixa com água? Quanto custa uma lagoa com água? Quanto custa uma barragem cheia de H2O? Vai depender mais do lugar onde se tem a necessidade. Se eu estou perdido no meio do deserto do Saara, um copo com água valerá mais que milhões. Se estiver em uma das margens da Barragem Zabumbão, não custará sequer um centavo. O valor dos produtos sobe e desce de acordo a precisão e sua escassez. Pois temos água em abundância, muitos dizem que o preço pelo meto cúbico está bastante elevado, que deveria aumentar a taxa mínima. Ouvir tanto que resolvi escrever algo sobre o assunto, não pelos fatos já mencionados, mas pelo serviço prestado pela distribuidora local e pela falta de projetos em prol a preservação das nossas fontes.
Água deve ser cara? Deve-se cobrar um preço que intimide ou diminua o seu desperdício, porém sendo ela cara o lucro a maior em vez de ir regar os bolsos de alguns poucos esse dinheiro a mais deveria ser voltado para a recuperação dos nossos riachos e rios, a empresa, no entanto, sequer esboça uma iniciativa quanto à questão deplorável que o nosso Rio Paramirim vem sofrendo e sofre constantemente. Recebem de Deus os recursos para negociarem no comércio, dinheiro certo, pois sabemos que o consumo sempre existe e que sua demanda tende continuamente a aumentar. Um ramo simples de lidar com os inadimplentes (praga que atrapalha qualquer empreendimento), deixando de pagar a conta, pronto, lá vai um agente e priva o mau pagador do líquido. Como não podemos viver sem água, somos obrigados, e com razão, a mandar recolocar o produto, antes se devem pagar os atrasados.
Nos últimos meses um fato que se tornou corriqueiro e que trás muitos incômodos aos moradores é quando ao abrir a torneira e simplesmente não encontrar água. Já houve ocasiões de ficarmos dias na falta d’água. Pessoas me disseram que a causa era fruto do alto consumo da população e que o sistema não conseguiu suprir toda a demanda. Fica uma pergunta: “Se o sistema não consegue suprir a população que cresceu e cresce o que deve ser feito?” Investir em novas instalações, fácil e rápido. Quanto aos recursos? Isso eles os têm de sobra.
Quando á água falta na torneira o cidadão se ver lesado pela segunda vez ao pagar pelo ar que existe nos canos. Um rapaz me disse que há no mercado um dispositivo que quando instalado libera esse ar sem o mesmo ser computado pelo relógio. Não sei se é legal esse método, todavia o mesmo me alertou que quem faz a instalação da peça é a mesma empresa de distribuição de água. Se existe tal aparelho por que a empresa não faz ampla divulgação? Por que ela não obriga que se instale junto ao relógio (peça obrigatória) esse dispositivo? Já ganha do Céu á água agora querem vender também o ar.
Nós consumidores devemos ficar atentos e cobrar das autoridades competentes nossos direitos. Quando não existe concorrência e a empresa goza de certo monopólio aqueles que necessitam do produto ou serviço sofrem por não possuírem uma segunda alternativa. Espero ver nos próximos meses iniciativas que colaborem para a preservação das fontes de água da nossa região, pois como sabemos são elas o maior ativo da empresa distribuidora aqui da nossa cidade. A empresa que não cuidar do social, do ecológico tenderá ao fracasso. Estamos vivendo novos tempos, aqueles velhos hábitos deverão ser mudados. A empresa que apenas deseja lucrar sem beneficiar a sociedade que é explorada sofrerá. Se antes tudo andava normalmente, hoje, as cobranças virão de muitos lugares, um texto é pouco, ou nada, mas o começo sempre é insignificante, lembremos o mar, ele só tem seu volume porque houve a primeira partícula de H2O.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
13/11/2009
O Rio de Janeiro ganhou a chance de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Ficamos muito contentes, jubilosos por realizar um evento dessa magnitude. A Cidade Maravilhosa enfim começa a sentir crescer o fruto da árvore plantada sobre um sonho de um povo. Primeiro preparou-se a terra e logo lhe foi semeada a semente. No inicio foi duro, árduo, custou a brotar, todavia o desejo pujante vibrava, tentando erguer do nada, ou trazer do mudo das fadas colocando na nossa realidade a concretização do plantio. Hoje o fruto começa a se desenvolver para daqui a alguns anos amadurecer num show de muitas luzes, cores, sons, sorrisos e lagrimas.
Desse turbilhão deparei-me com uma pergunta que acabou ficando corriqueira: “Será se em 2016 eu estarei vivo para fazer parte dessa festa?” Surge a duvida. Planejar para uma semana, um mês, um ano, dois no máximo, mas sete anos chega a ser algo anormal, é o mesmo que olhar para o vácuo do espaço sideral e vislumbrar as estrela ao longe sem saber se um dia chegará os humanos a descer em algum dos seus diversos solos. Sete anos não são sete dias. Muitos transporão os desafios advindos e farão parte da festa, como tantos venceram e foram autores dos antigos jogos. O curso corre levando os povos e gerações trazendo novos, as coisas se renovam constantemente, vencer se torna cada vez mais difícil, todavia necessário.
Olhando aos jovens da nossa região sinto faltar no coração de muitos a malicia de enxergar no agora a chance de ser influente em dez anos, vinte ou em algum momento da vida. Precisamos plantar se desejamos colher, quem colhe sem semear se passa por ladrão. Quanto mais cedo o jovem visualizar o que deseja para o futuro mais fácil tornará a escalada. Nunca tivemos tanta facilidade para seguir uma carreira de sucesso, há pouco tempo para entrar em uma faculdade precisava o indivíduo ser dotado de muitas posses, hoje qualquer um que queira pode, basta para isso querer.
São tantos os desafios para a vida na Terra que precisaremos de todas as mentes sintonizadas num único propósito para assim não sucumbirmos sobre nossos próprios erros. A nossa humanidade não carece de gafanhotos humanos, que apenas bebe, come e faz sexo. Contribuir para o bem-geral torna-se um dever de todos.
O Brasil após a implantação do Plano Real começou uma escalada lenta para prosperidade. Nosso povo vive melhor, contudo muitos problemas surgiram. Doenças que antes era sinal de cemitério passaram a não mais incomodar, fruto de homens que deram suas vidas pela vida da coletividade. O meio-ambiente sofre com o crescimento humano, e desse estrondoso nascedouro conta-se nos dedos os poucos contribuintes, porém me faz lembrar Darwin com sua Evolução Espontânea. Darwin afirma que apenas aqueles que se adaptarem ao meio em que vivem conseguirão destaque e legarão ao mundo os seus descendentes, aos fracos sobrará o esquecimento.
Está nas mãos de cada um, se deseja colher maça não seja ingênuo a ponto de lançar ao solo sementes de feijão. Plante, trabalhe pela sua seara, não meça esforços, no final uma grande árvore carregada de benesses estará a te esperar. O mundo carece de pessoas conscientes dos problemas que nos cercam. O mundo precisa de você, dele, de mim, de todos.
O Rio de Janeiro plantou um sonho, hoje cuida dessa realidade, amanhã estará colhendo os frutos desse trabalho desmedido. Não queira colher sem semear, plante e você terá boa colheita, caso contrário será joio entre o bom trigo.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
07/10/2009

As pessoas nos quatro cantos do mundo se mobilizam na tentativa urgente de frear o ritmo avassalador de destruição, que nós humanos, imponhamos ao meio-ambiente. Meios de Comunicação, ambientalistas, ONGS, Governos tentam buscar uma solução para o impasse que se abriu entre preservar a natureza e o sistema de empregos que rodeia toda essa cadeia de devastação. Pensando nisso e olhando aos problemas que permeiam o nosso Município, por que não dizer, a nossa região, através dessa minha Coluna tento mostrar, esclarecer e denunciar o estado agravante que as Cerâmicas estão causando, com seus métodos arcaicos ao Bioma que nos cercam. Um crime que acontece no dia-a-dia e que não nos aparece como uma agressão. Muitos acreditam que preservar se deve apenas aos biomas Amazônia e a Mata Atlântica. Então, homem humilde, não asseie sua casa, deixe criar ratazanas, bicudos, todavia as que merecem cuidados somente as dos ricos. Algo bizarro, não?
Não tenho dados de quantas cerâmicas se encontram em atividade, porém na BA 156, o trecho que liga a sede de Paramirim a Caraíbas em pouco tempo várias dessas fábricas foram construídas. Parece haver uma demanda grande de blocos e telhas, fato que se formula bem quando deparamos com o crescimento dessa cultura. Poderia ter feito à conta própria uma pesquisa e dessa tirar os dados inerentes para esse texto da quantidade existente em funcionamento no nosso território, mas há Órgãos responsáveis e que até o momento sequer se manifestaram por um simples esclarecimento. Gostaria muito em saber qual o impacto delas para a Caatinga, quais as Leis que regue essa atividade, quais as penalidades por burlar o Código Ambiental? Esse texto abre espaço para os Órgãos responsáveis, os empresários do setor se pronunciar quanto às indagações. Silenciar-se não será o melhor caminho, esclarecer sim, um dever.
Há um mês aproximadamente andei pela zona rural do nosso município e constatei apenas pela observação os males causados por elas. Em Caraíbas olhe para os morros que a cerca e veja suas encostas todas despenadas. Um caminhão de madeira custa quatrocentos reais, os donos de terra não hesitam um segundo em desfazer do mato para ter os recursos em mãos. Em dois dias que passei pelas intermediações desse lugar encontrei dois veículos abarrotados de madeira. Quantos não são retirados por semana? Pergunta que gostaria de obter uma resposta, todavia duvido muito que a terei. Em um trecho de encosta abriu-se uma estrada e em suas margens existiam muitas madeiras amontoadas prontas a serem carregadas, existiam por que hoje só restaram delas cinzas em algum deposito baldio. O fato me preocupa, deveria, pois, haver um manejo dos nossos recursos para um melhor aproveitamento. Da forma que se faz no momento, em pouco tempo, a atividade perderá seu poder de produção, a matéria-prima se fará escassa tornando a atividade inviável. Hoje, para obter as madeiras, antes achadas em abundancia nas intermediações, já se buscam no município de Rio do Pires. Para burlar a fiscalização os proprietários amontoam defronte suas fábricas uma porção de madeiras da algarobeira, essas apenas para amostra, deixando em locais outros o combustível usado nos fornos, as madeiras retiradas de forma ilegal da Caatinga. Não posso afirmar que já houve uma fiscalização, se aconteceu, algo de errado seguiu, pois pode possuir as madeiras da algarobeira, todavia não existe no nosso município plantação que sustente tamanha produção.
Em meio à atividade das cerâmicas poderia nascer uma nova fonte de renda ao nosso povo. A silvicultura abriria novos postos de trabalho. Temos uma árvore que atende bem ao nosso propósito, a algarobeira. De crescimento rápido, não é exigente em água e nem precisa de solo fértil, além da madeira ela produz vargens que servem para alimentação dos rebanhos e com suas flores poderiam ser aproveitadas pala apicultura. Uma velha máxima: “Para tudo na vida há uma solução, menos para a morte”. Não somos contra esse ramo, até por que, ele possibilita trabalho e renda para muitas pessoas, porém devemos nos adequar para que a atividade não seja prejudicada no futuro próximo. Se a matéria-prima faltar, não sobrarão empregos e nem tão pouco nossas matas, essas consumidas no decorrer de tantos anos de atividade. O crime é tão grave que já começa a afetar o lençol freático, poços artesianos se esgotam, riachos morrem, rios assoreiam. Por mais que essas matas estejam em propriedades particulares não dão o direito das pessoas destruírem o que é de todos, se formos pensar, sequer um indivíduo desses plantou uma árvore, come da lavoura de Deus.
A preocupação não é somente minha, o Vereador Evandro Carlos Oliveira e Silva entrou com uma indicação no dia dois de setembro no Legislativo de Paramirim, que foi aprovada por unanimidade, onde prever uma fiscalização diferenciada a esse ramo de trabalho e a exigibilidade de que os donos das cerâmicas se comprometam a cultivar a matéria-prima usada nos seus fornos. Explicou que o Município dispõe de um viveiro de mudas e que se nada for feito a atividade em breve se tornará inviável, pois faltará madeira, combustível usado na fase de queima dos produtos.
Já nos anos de 1901 a 1908, o Presidente dos Estados Unidos, Teodoro Roosevelt tinha como preocupação a eficiência nacional. Ele relata na época: “A conservação de nossos recursos naturais é apenas fase preliminar do problema mais amplo de eficiência nacional”. Na obra do ilustre Frederick W. Taylor (Princípio de Administração Científica), que fala também do Presidente Roosevelt ele comenta sobre o desperdício. Vou expor um trecho: “Observamos o devastamento de nossas florestas, o desperdício de nossas forças hidráulicas, a erosão de nosso solo, arrastando para o mar pelas enxurradas e o próximo esgotamento de nossas jazidas de carvão e ferro. Mas, por menos visíveis e menos tangíveis, estimamos superficialmente os maiores desgastes que ocorrem todos os dias, em função do esforço humano e decorrentes de nossos atos errôneos, mal dirigidos ou ineficientes, os quais Roosevelt considera como expressivos da falta de ‘eficiência nacional’”.
Devemos ser eficientes com nossos recursos, dá o devido valor ao nosso patrimônio, cuidar, preservar, pois o interesse maior é da gente. Se não fizermos por nós não podemos esperar que outrem deixe seus problemas para resolverem os nossos. Aproveitar o máximo da forma mais racional possível, cultivando novos hábitos, criando soluções para que a sociedade se desenvolva com o mínimo de agressão ao meio-ambiente. Devemos deixar de sermos sovinas para pensarmos no nosso futuro, não apenas no que se refere ao financeiro, mas a continuidade da vida em si. O mundo aguarda ansioso por seu posicionamento quanto aos desafios que o cerca.
Luiz Carlos M. Cardoso (Bill)
14/09/2009
Já há algum tempo busco algo que nutra minha curiosidade quanto à história do município de Paramirim; para espanto meu, pouco, ou quase nada existem em livros ou arquivos digitais. É triste saber que um povo tão bonito e rico culturalmente sequer saiba como se deram os primeiros passos e as caminhadas seguintes que acabaram por nos legar este presente. Para inicio deixarei uma frase minha: “Todas as mazelas e venturas de hoje são frutos dos deslizes e acertos cometidos no pretérito; conhecer nossas heranças nos dará condições para sanar nossos vícios atuais”.
Lei Orgânica do Município de Paramirim. Capitulo IV, Art. 100:
XVI “Inclusão, no currículo escolar, da disciplina História Municipal, com destaque especial o estudo sobre vultos ilustre do Município, propondo à admiração de todos o exemplo concreto empreendido, pelos tempos em fora, nos mais diversos setores, de trabalho e ações benfazejas, em prol da humanidade”.
Na nossa
Lei Orgânica há esse trecho onde nos leva a pensar da obrigatoriedade de uma disciplina que trate da história do Município. Essa Lei já faz um bom tempo que fora aprovada, porém até nos dias em que estamos nada de concreto se fez. Como seriam essas aulas? A que séries seriam ministradas? Qual material seria usado em sala? Apenas três perguntinhas que exigem respostas gigantescas.
Para poder ensinar há de ter conteúdo em pauta, todavia caímos num poço sem fundo. Quem, filho de nossa terra, teria capacidade e conhecimento pertinente a um tema tão abrangente? Olhando por cima vislumbro umas duas a três mentes brilhantes. Por que ainda nada fora feito? Não queremos nós achar que viveremos para semente, daqui cinquenta anos, provavelmente, poucos dessa geração conhecedora ainda andará pela Terra. É fato certeiro a morte para quem vive, contudo levar ao tumulo todo o seu conhecimento legando aos seus filhos e netos a escuridão de um passado pulsante e brilhante, talvez seja, o maior pecado que se arraste para sepultura, pois estará matando, não um individuo, mas a história de um povo, não de qualquer povo, e sim do seu povo, da sua vida.
Para cuidar e assim preservar os traços que resistem do passado nós precisamos primeiro mostrar que de fato esses bens possuem um valor, e qual o tamanho desse valor. Se existe na cidade algo histórico, porém ninguém esboça sequer imprimir um elogio passará ao povo como algo desprestigiado, dessa forma pouco cultuado, logo vandalizado por muitos. Um exemplo se encontra no Sítio de Pinturas Rupestres do Catuaba, o Catuaba para quem desconhece fica a cinco quilômetros da nossa sede, esse patrimônio municipal se encontra todo pinchado. Faço uma pergunta: “Será que nossos estudantes sabem o que é uma pintura rupestre?”. Ou melhor: “Será que nossos educadores têm conhecimento da existência desse patrimônio histórico na nossa Cidade?” Se não conhecemos e assim ignoramos nossas belezas a destruição se fará natural, corriqueira e de maneira até bestial. Não podemos ter vergonha das nossas raízes, esconder dos nossos desafios, da nossa responsabilidade. O problema existe e precisa o mais rápido possível ser sanado.
Façamos o trabalho a que nos cabem. Façamos enquanto ainda há tempo. Façamos, pois somente fazendo é que poderemos alvejar um vindouro melhor. Façamos, façamos, façamos, oh! Paramirienses, façamos algo por nossa querida terra. Precisamos resgatar o nosso passado, pois nossa vida logo fará parte dessa história. Uma história sem começo, nem meio, perdesse o interesse. A nossa história tem que continuar, todavia devemos recuperar o principio e o meio para assim ir escrevendo de forma brilhante as páginas que ainda serão preenchidas.
Luiz Carlos M. Cardoso (Bill)
15/08/2009
Se perguntar a um nordestino: “Qual o período do ano que você mais gosta?” Noventa e nove por cento dirão sem pensar: “O mês de junho.” Esse pequeno espaço de tempo faz com que a atmosfera da cidade ganhe novo colorido, o falar do povo mude radicalmente, as comidas se transformem e a música vibre em novos tons. As festas juninas dão aos nordestinos a força e a alegria para continuarem a cavalgar sobre essa vida dura, seca, brava e gostosa de si lidar. Pensando nesse potencial os gestores dos municípios se esforçam para fazer a cada ano festejos melhores que os já passados.
O que falar de trinta dias de folia... Nossa região, composta por vários municípios, todos próximos uns dos outros, faz do mês de junho um só arraial. Santo Antônio em Paramirim, treze dias; São João antecipado em Ibipitanga; São João: Botuporã, Érico Cardoso, Feira Nova, Macaúbas, Caraíbas, Praça Castro Alves (Paramirim), depois aconteceu em Tanque Novo e por último o São Pedro em Rio do Pires. Uma data muito alegre, tempo de confraternização. A criançada soltando fogos, brincando quadrilhas, comendo as iguarias típicas da época, enquanto a fogueira queima o povão arrasta os pés nos salões. Um mundo encantado. Nem parece nosso querido e seco sertão.
Vou falar de Paramirim, pois sou desta terra, como diz Reginaldo Rossi em uma de suas belas canções: “O cara da Bahia canta a Bahia, o do Rio Grande do Norte canta o Rio Grande do Norte, o cara da Paraíba canta a Paraíba”. Vou cantar, não, contar um pouco de Paramirim. Eu tenho que “puxar a sardinha para o meu lado”, conselho do ilustre Reginaldo. O Santo Antônio por ser um festejo com treze dias se faz com uma gama farta de eventos, tradições que vêm de outrora. Devemos nos orgulhar por assim ser, entretanto nos requer atenção para que nossa cultura, já fragmentada, não se transforme em modismo. Não devemos copiar os grandes centros, o que devemos fazer é incentivar nossas belas tradições, sem desmerecer outras paragens, somos mais ricos, o que nos faltam é o valor nosso ao que de fato é nosso. Não podemos nos esconder, ou deixar de participar das nossas raízes; antes de aventuramos em conhecer novos horizontes devemos primeiro saber o que possuímos em nossos quintais. A visão do povo flutua rumo às imensas aglomerações. Não se faz cultura com quantidade; acreditar que algo seja bom somente por esse ser aceito por uma maioria, com certeza, é nosso maior erro.
Um ponto crucial ao bem-estar dos jovens e que nossa terra deixou há muito tempo de lado, trazendo com isso muitos problemas, vistos agora na sociedade, o fato das escolas deixarem de contribuir na real formação dos jovens. Nossas escolas, digo no geral, adotaram e adotam métodos, que hoje se mostram falhos, para um melhor aproveitamento dos aprendizes. Os professores, nos dias atuais, não passam de meros transmissores de dados. O período em que vivemos exige postura diferente, pois temos carências que antes não existiam. O maior crime que se comete atualmente é tentar fazer dos estudantes seres passivos para a sociedade vibrante. Não podemos impedir que haja uma interação dos jovens com o social e que dessa forma os mesmos tomem conhecimento dos nossos problemas; se nada for feito legaremos aos próprios a sina de falharem adiante por não terem tido a oportunidade de conhecer nossas mazelas. A sociedade não carece de seres passivos, pessoas que não se comunicam, não fazem, não existem. Há muitos desafios a ser vencido, por isso o ambiente natural é um lugar perigoso a esses tipos de seres. Já nos primeiros anos de vida devemos ensinar e incentivar nossas crianças a participarem, não como expectadores, mas como atores a ditar a história em curso. Explicar o conteúdo dos livros e pedir que estudem para realizar avaliações já não consegue surtir mais efeito, no mais apenas uma falsa verdade da vida humana, conhecimento teórico que não se adéqua ao meio em que vivemos. Os seres dos novos tempos, além de tudo, deverão ser sociáveis, não apenas dentro dos seus grupos, mas em qualquer situação. Você estará pensando: “O que isso tem haver com festas juninas?”. Chegaremos lá, peço apenas um pouquinho de calma. Nos tempos de hoje o camarada que vence um punhado de linhas já é tido como herói. Avante, Herói! Vamos juntos, Homem Moderno, vencer este mundo das ignorâncias!
Muitos devem se lembrar, não faz tanto tempo assim, tínhamos o “Desfile de Sete de Setembro”. As escolas juntas na realização de um evento, os professores, como tenho saudade, doavam seus tempos para que tudo ocorresse da melhor forma, no dia eram milhares de atores no teatro a céu aberto. Não sei qual motivo, mas com violência mataram nosso Sete de Setembro. O feriado virou mais um entre tantos outros, sequer tem sentido, muitos nem sabem o porquê dele, apenas mais um dia de folga. “Nos dias atuais realizar um evento é muito trabalhoso, dizem os professores, os alunos não querem nada”. Se o general for fazer os gostos dos subordinados o que será dele no momento em que cobre autoridade? Tudo na vida há que ter trabalho. Comece a construir uma casa, case e procure ter um filho, lá estará o trabalho. Com certeza, o que não gostamos é de trabalhar em prol dos outros, mas devemos nos esforçar, pois as cidades já não são seguras a vida. Muitos alunos não encontrando apoio na família buscam guarida nos professores, a responsabilidade desses para com aqueles é inimaginável. Professores ganham pouco? Deveriam ganhar bem mais, porém o nível de muitos está tão baixo que não deixam motivos para uma elevação salarial. Professor é tão ou mais importante do que médico, contudo a classe daqueles deteriorou-se por falta de profissionais qualificados ao novo mundo. Deixemos de conversa, acredito que neste exato momento há pessoas com raiva de mim, isso é, se alguém teve a coragem de chegar até esse ponto da leitura. “Muito grande sua matéria”, dizem alguns. Outros: “Só baboseira”. Minha obrigação é escrever, por isso vou escrevendo. Certo ou errado, não importa, o que não posso é dá-me o luxo de parar; são com os erros que aprendemos a não errar.
“Falar é fácil!” – gritam alguns. Será que falar é tão fácil assim? Por que o mundo com quase sete bilhões de pessoas apenas um punhado delas falam? “Fazer é que é difícil!” – gritam outros. Realmente, há uma dificuldade a ser vencida, mas a vida se faz de obstáculos a serem transpostos. Falo aqui aos professores, pois vejo o quanto nosso ensino deteriorou-se no decorrer dos anos. Apenas aponto um caminho que devemos buscá-lo. Conheço as dificuldades impostas aos educadores; vejo as armadinhas que circulam nossos jovens. Não será transferindo responsabilidades que alcançaremos uma meta. Sete de Setembro se aproxima, estará aí uma oportunidade para fazer a semente hibernada se libertar e germinar para uma fruteira produtiva do amanhã. Nossos jovens precisam aderir ao movimento participativo, todavia o apoio dos professores tem como base primordial para que assim se aconteça.
Voltemos aos Festejos Juninos. Professores, eu não vi as mãos dos senhores nos festejos a Santo Antônio. Vão continuar se escondendo até quando? Este ano teremos novamente nosso Sete de Setembro? Só em pensar faz lembrar-me dos que participei. Pergunte aos alunos daquela época o que eles acham do Desfile. Não sou eu apenas a pedir, o povo é quem pede. Ouça a voz do Povo, pois essa é a voz de Deus.
Luiz Carlos Marques. Cardoso (Bill)
06/08/2009
Olhar para a escuridão, tentar ver, enxergar uma fagulha por menor que seja onde nada possui corpo, ou no máximo algo volúvel como o gás, não é fácil, somos tomados por cegueira crônica, do mal que pode atacar de onde menos se espera. No espaço ínfimo de seis meses Paramirim foi acometida por dois inusitados assaltos a banco. Nossa querida cidade passou a ter mais uma estação, a estação “nebulosa das balas”, do medo, da pressão que agride o ímpeto e o psicológico de seus munícipes. O Rio de Janeiro, com suas manchetes loucas, de tão longe que a nós parecia à coisa de outro planeta, do nada surge a nossa porta fazendo-nos crer que a segurança das cidades pequenas, antes gabadas por muitos, sofra desse distúrbio de igual modo as capitais. Com o advento da Globalização o terror evolui em aspectos tecnológicos na mesma velocidade e proporção das demais áreas e hoje ninguém se ver livre dessa força.
Estava metido nos meus estudos quando recebi uma ligação de uma das minhas irmãs me alertando do assalto. Logo ouvir estouros, muitos por sinal, primeiro pareciam a tiros de revolver, logo vieram outros, esses de armas de calibre maior. Fui ate à rua a procura de notícias, nos semblantes das pessoas que trafegavam loucamente transparecia o medo. Muitos buscavam suas residências, outros, curiosos, iam de encontro à fruta para se saciar. Crianças deixavam a escola em prantos. Mães e pais corriam afoitos. Fez-me lembrar o Iraque, na ultima guerra, quando tocava a sirene para avisar que Bogotá seria alvejada por mísseis ianques. Um verdadeiro inferno. Só deixei o aconchego de meu lar por este se encontrar distante do centro do conflito, caso contrário, ficaria abaixado esperando o desfecho.
Estou já nas derradeiras páginas de um livro, esse expõe brilhantemente toda a saga de Lampião pelas terras da Bahia (Lampião na Bahia, de Oleone Coelho Fontes, 6° Edição). Virgulino Ferreira da Silva e seu bando de cabras, naqueles tempos remotos, não muito, pois estou a falar do século vinte, esse por sinal ainda quente na memória de tantos, atormentou com sua brutalidade de fera por anos a findo uma pá de cidades do interior baiano. Capitão Lampião, assim gostava de ser chamado, entrava nas comunidades do mesmo modo como os bandidos chegam para assaltar um banco, mudando-se alguns pontos. A violência existe desde quando o homem se intitula a tal. Olhe a Grécia, a própria Roma, Jerusalém no tempo épico de Jesus. Mas as Leis evoluíram e em certos países andar em estrada diferente da proposta pela Constituição tem como conseqüência o banimento da convivência social. Seguir os mandamentos propostos para que não haja convulsões, esse é o Contrato Social de “Jean Jacques Rousseau”. Nesse contrato as anomalias humanas devem ser recolhidas por querer ir contra o pacto assinado por todos que convivem na sociedade, ir em direção contrária acarretará em sansões. Todo humano assinou esse contrato ao ganhar de Deus uma oportunidade para nascer como Homo Sapiens. Querendo ou não, sabendo ou não, você, eu, todos assinamos esse Contrato, nossa assinatura estar representada por nós mesmos, não por alguns riscos ou um apanhado de letras.
Assim que fui alertado das cenas de horrores que tomavam o centro da cidade, de imediato veio-me a mente e a preocupação com as pessoas envolvidas. Parentes poderiam está no banco, amigos certamente estariam passando por maus bocados. De fato, posteriormente fiquei sabendo que muitos amigos sofreram na pele tamanha loucura e apreensão. Colegas que trabalham na instituição almejada estavam logo após o ocorrido em estado de choque. Querendo ou não, as vidas desses jamais serão como antes. Nosso corpo possui um dispositivo de repulsa quanto à morte de presa, os animais irracionais sentem menos, há humanos que chegam a perder o juízo, fato acontecido com a mulher de um coronel que foi morto pelo facínora Lampião. Esse foi levado no pelo de animal tendo a mulher na garupa, os dois despidos a mando do rei do cangaço, para um povoado visinho, o homem foi sumariamente mutilado pelas punhaladas lentas do chefe atroz, a esposa foi poupada a pedido de um dos cangaceiros, porém após o macabro acontecimento jamais recobrou a consciência.
Nada impede que um dos integrantes da quadrinha leia esse texto, bem sabemos ser mais fácil um gigantesco meteoro alvejar a Terra do que esse insignificante fato acontecer. Mas irei formular um pedido, não a eles, pois acredito que esses dificilmente se moldarão segundo as Leis, mas aos cidadãos da nossa sociedade que se deixam levar pelo dinheiro fácil. Contarei mais uma passagem da vida de Lampião: em um encontro com os Volantes (polícias) o irmão de Virgulino morre em conflito, almejado por balas. Lampião sente muito a perda e passa a aterrorizar movido pelo ódio quem cruzasse o seu caminho. Sabia que não tardaria em ter um fim igual ao do irmão e tantos outros amigos falecidos no cangaço. Aparentemente, possuir carros, mansões, aviões nos levam a crer que seja essa a real meta humana na vida; angariar tais bens de fato é bom, todavia há modos e meios certos para se conseguir tais objetos, entrar em conflito com a Constituição poderá antes mesmo de o intento acontecer herdar uma vala de indigente em um cemitério qualquer. Racionalizar as ações talvez seja a maior vantagem humana contra o extinto animal dormente, todavia vivo, que a depender da ocasião se aflora nas mais hediondas perversidades.
Nosso povo custa a perceber o grau de periculosidade envolvido em um assalto da proporção do que atingiu Paramirim no dia 5 de maio. As pessoas deixavam seus afazeres para ir presenciar os acontecimentos, infligiam todos os perigos que porventura poderia germinar daquela situação. Para o público aquilo era como está em um estúdio de cinema a céu aberto, a Rede Globo de Televisão gravava cenas de sua mais nova minissérie (Lampião o Rei do Cangaço). Alguns diretores de escolas, de modo irresponsável, deixavam seus alunos saírem à rua no momento em que os bandidos atiravam feitos loucos sabe-se lá para onde. As esquinas próximas ao Banco do Brasil eram disputadas a empurrões por pessoas que tentavam se atualizar quanto ao ocorrido. Deus foi generoso e nos privou de maiores dores, mas naquele momento o risco de ter perdido dezenas de vida foi colossal, simplesmente por infligir o bom-senso. Além de dificultar o trabalho da polícia os civis não buscaram em suas mentes qual o grau de perversidade das pessoas envolvidas diretamente no acontecimento.
Muitos membros da sociedade vaiam a Polícia, crítica, sem saber que agindo dessa forma pressionam os mesmos para atuarem de maneira equivocada. Em ocasiões como a ocorrida o melhor que se faça é não fazer nada. Os bandidos tinham reféns, fez desses escudos. Um ato impensado poderia ocasionar em dezenas de mortes. Nossos policiais desprovidos de armamento a altura daqueles em mãos dos bandidos seria, por que não dizer, um mero suicídio tentar heroísmo, sem contar na irresponsabilidade por expor um contingente de pessoas a possíveis riscos. O remédio é a prevenção, usar a inteligência da polícia para interceptar os grupos antes do fato ser consumado, porque após a doença implantada o melhor antídoto é esperar o tempo fluir e torcer para que não ocorram maiores dissabores.
Precisa o mais rápido possível ser realizado em nossa cidade uma mobilização pública em que se aborde temas nesse sentido para evitar traumas ainda piores. A ignorância frente ao perigo vem a ser o maior risco o qual passa o nosso povo, que é muito bem informado pela mídia, parece, porém, não entender a mensagem. O Estado por adotar uma Constituição deve nos temos desta fazer cumprir o que se obriga. Todo Brasileiro tem direito a segurança. Como somos membros, sem distinção, do Contrato Social que cumpra cada ala com suas obrigações. O Governo atual da Bahia, na pessoa do Governador, por sinal, sua gestão está muito abaixo das expectativas, faz visão míope as mazelas do estado em que o acolheu como mandachuva. Todos nós assinamos o Contrato no instante da concepção, o Governador assinou outro assim que tomou posse. Querendo esse fugir as obrigações não estaria o mesmo deturpando o Contrato? Em caso de anomalia social que os levem a Justiça, assim aos bandidos, assim aos políticos, assim a qualquer cidadão, pois todos nós somos iguais perante a Lei, e as Leis são os únicos mecanismos com poder suficiente para manter a harmonia e a paz social. Palmas a Jean Jacques Rousseau.
Luiz Carlos M. Cardoso (Bill)
18/06/2009
Para você o que o Vale do Paramirim possui de maior valor? Resposta obvia paira no ar, no ar, não, no copo. Olhe o nosso manancial e pense se por acaso esse por ditames da natureza não existisse? Viver onde água se faz difícil igual a ouro não proporciona vida saudável, não haveria condições suficientes para florescer uma sociedade de porte considerável. Temos nosso querido Rio Paramirim, importante fonte de vida, sem ele nosso município e tantos outros circunvizinhos se assemelhariam às cidades fantasmas. Protegendo esta dádiva estaremos nos preservando de um futuro cheio de duvidas e percalços.
Mas pelas vastas necessidades e devaneios dos homens essa pedra preciosa anda por sobre vidros. Saber que um dia não tão distante a artéria central da nossa região poderá ter um colapso e secar me causa arrepios. O ano em que estamos Deus nos proporcionou abundancias em chuvas, nosso rio transbordou em suas margens, o açude ganhou um novo e exuberante visual. Pensemos: “O estado de abundancia mude e se transforme em um leito seco.” Bastarão alguns anos ruins da Graças Divina para o terror tomar todas as cidades que dependem exclusivamente dessa fonte. Como as principais manchetes estampam: “O ouro do século XXI deixará de ser o petróleo, passará a ser a água”. O elemento de maior fartura na superfície da Terra ganhará status de diamante em meio a uma imensidão do mesmo. Que sina a nossa.
Devemos, contudo, olhar para o aumento indiscriminado da destruição da flora das suas margens. Ultimamente a ganância dos proprietários de terra que tem o leito do rio cortando suas áreas derruba tudo para dessa forma ganhar mais espaço. Existe o Código Florestal (Lei n.° 4.777/65), onde consta que o rio com largura inferior a dez metros, cada margem deverá possuir no mínimo trinta metros de mata ciliar. Da Barragem do Zabumbão até a divisa com o município de Caturama acredito não existir um pedacinho sequer que se enquadre na Legislação. Outro dia fui eu ao açude do Bebedouro (distrito de Paramirim) que se encontra a uns cinco quilômetros da sede; parei em um local cheio de árvores e fiquei a apreciar; passado dois meses lá eu fui novamente, surpresa, as árvores não se encontravam mais, no local, uma plantação de sorvo. O Rio que se encontra, na sua quase totalidade, entupido pelo assoreamento, fruto dessa nefasta devastação, vai aos poucos sucumbindo, morrendo sobre a insensatez dos seus maiores beneficiados.
Há algum tempo aconteceu o inicio do programa de reflorestamento das margens do Rio Paramirim (parte que toca ao município de Paramirim) e seus vários riachos. Houve manifestação dos estudantes, das autoridades e da população em geral quando da plantação das primeiras mudas. Foram mais de cem mudas plantadas naquela linda manhã. Fiquei animado com o que vi e ouvir. Desanimo por ainda não ter visto a continuação do objetivo. Prometiam muito, mas quase nada se fez. Temos o viveiro de mudas, basta agora elaborar um plano para que de fato surta efeito o trabalho que vier a ser gasto. Pois não é conveniente plantar as mudas tendo na área uma boiada pronta a desfazer tudo o que foi realizado, naquele momento, acredito que poucos prestaram atenção nesse quesito, eu por sinal notei.
O Rio Paramirim nasce na Serra das Almas entre os municípios de Érico Cardoso e Rio de Contas, percorre por quatorze municípios: Érico Cardoso, Paramirim, Caturama, Rio do Pires, Macaúbas, Ibipitanga, Novo Horizonte, Boquira, Ibitiara, Oliveira dos Brejinhos, Brotas de Macaúbas, Ibotirama, Gentio do Ouro e Morpará. Juntam-se a ele nesse percurso o Rio da Caixa, Córrego de Daniel, Caiçara e Rio Juazeiro, esses na margem direita; já na margem esquerda, temos o Riachão, Riacho Mulungu, os Riachos de Boquira, Santa Rosa e Malhada das Varas. Deságua no lendário Rio São Francisco, ou como é denominado por muitos, “Velho Chico”.
Elaborar um plano de recuperação onde englobe todos os municípios que o Rio Paramirim adentra será o melhor caminho, obteríamos desta forma o melhor resultado. Todavia por possuir aproximadamente 17.100 km torna tal iniciativa pouco atraente por aderir muitos interesses diversos. O mais aconselhável é propor, a todos os municípios dependentes dessa fonte de água, a revitalização desse rio, a principio até Caturama, com o decorrer das conquistas descendo até chegar a sua foz. Seria uma pequena faixa, onde abrangeriam três municípios, Érico Cardoso, Paramirim e Caturama, não chegando a 100 km ou passando um pouco mais. Pensar, contudo, em facilidades poderá de imediato cair em insucessos. O problema é grave e delicado, requer um estudo bem detalhado antes de se tomar qualquer iniciativa.
Devemos olhar com carinho para nossas fontes de água. Tentar reverter o quadro lamentável que nosso Rio vem sofrendo por todos esses anos. A tarefa é dura, árdua e cheia de espinhos. Melhor será curar a doença no estágio inicial do que remediar assiduamente quando o estado já for de morte. A sociedade precisa colaborar e ajudar na proteção dos nossos rios, lagos e riachos, não havendo a participação de todos, dificilmente, por melhor que seja o plano, tenderá ao fracasso. Já não é de hoje que se muito comenta em bares, centros, reuniões, palestras, dentre outros, que para cidade pequena do interior, sem força no agronegócio ou na mineração, o caminho a ser trilhado chama-se
Turismo. Há certos municípios providos pela Mãe Natureza de um vasto cardápio de belezas naturais, outros pelas próprias mãos dos homens em sua exuberante história. Explorar de forma racional e consciente para não exaurir esses recursos, agregar valor, formar uma cadeia de serviços, trará no longo prazo ao município um valor patrimonial sem precedentes.
Há poucos dias visitei o município de Rio de Contas, já havia estado lá em outra ocasião, porém só me vinha à memória a Cachoeira do Fraga. Fiquei encantado com o estilo da cidade. Demorei pouco, contudo conheci vários lugares, todos disponíveis aos turistas. Rio de Contas conserva o estilo colonial, conta ainda com muitos pontos ecológicos. Não tenho dados do fluxo turístico do lugar para saber qual o impacto desse negócio para seus habitantes. Por ter uma estrutura hoteleira significante tenho convicção que a fonte principal de receita da economia local se concentra no turismo.
A cidade de Rio de Contas possui suas carências, carece de investimentos na conservação do Patrimônio Histórico, precisa de uma melhor divulgação nos diferentes meios de difusão. Não me atrevo a comentar qual o plano do Gestor municipal para impulsionar mudanças que faça dessa cidade um berço regional do turismo. Na nossa região ser ela a referência, contudo se colocarmos frente a Ouro Preto e Tiradentes, ambas em Minas Gerais, sua força perde e muito, todavia seu potencial se não iguala as duas cidades mineiras por essas terem significado contundente na história do Brasil se eleva em beleza. O singular problema é que nossa região ficou bastante tempo sob uma densa e obscurecida visão míope de governos desprovidos de ideais e conhecimento para impulsionar essa fonte exorbitante que é o Turismo. Coloquei o verbo no passado (ficou) na esperança de ver esses acontecimentos como mazelas do outrora, águas passadas. Esperamos sim uma posição firme dos Gestores frente a esse objetivo.
Voltemos nossa atenção para a cidade onde tenho residência (Paramirim), por sinal, um lugar muito bom para se viver. Vou tentar com minhas palavras fracas, talvez por eu pouco representar, ou simplesmente por elas serem fracas mesmo, mostrar e instigar nosso Gestor da importância de elaborar um plano no intuito único de fazer de Paramirim um ponto marcante de destaque no Turismo da Bahia. Fácil nós sabemos que não é, caso fosse, não existiria esse pedido, mas acredito na força do Prefeito atual e na sua visão moderna de conduzir e realizar mudanças, nessa terra onde o medo de mudar abala os corações das pessoas acostumadas a uma vida pacata, sofrida, sem muitos sobressaltos.
O ouro do pretérito acabou-se, nos resta o diamante do presente, o Turismo, entretanto esse mineral se encontra em forma bruta, um hábil profissional fará com que essa pedra se multiplique constantemente em valor e beleza.
Em Paramirim existe uma grande concentração de Sítios Rupestres, ano de 2007 alguns deles juntos com tantos outros existentes na Bahia viraram material para o Livro
“Escritos na Pedra, criação de Carlos Etchevarne, patrocinado pela Fundação Odebrecht”. Na ocasião os pesquisadores que estiveram no nosso município, receberam da administração da época um tratamento frio e indiferente. Sorte que quatro cidadãos da nossa terra comprometeram a colaborar. Perdemos naquele momento uma oportunidade impar, que talvez não venha a se repetir por tão sedo. Sequer mostraram disposição para escutar. Receber visitantes em nossas casas com cordialidade é o mínimo que possamos fazer, ainda mais quando são pesquisadores imbuídos de uma nova percepção de mundo.
Criei um espaço na Internet onde divulgo e tento chamar a atenção para essa possível fonte de renda: www.focadoemvoce.com/pinturasrupestres. Essa página abriu portas fantásticas, uma delas foi a de aumentar minha rede de amigos, um desses, por sinal, residente no Rio de Janeiro, que esteve aqui no começo do ano passado, Fernando Bonetti, e já me disse que não tardará a retornar para nos visitar, pois adorou a região. Ele naquele momento e depois por meio de email cogita a mim a necessidade de criar nessas áreas pontos a serem explorados como fonte de renda para os povoados. No momento estamos plantando uma semente de um livro. Relatei esse fato para mostrar que pessoas que não têm nenhum vínculo com o nosso município (ou que não tinham) desejam o nosso progresso.
Falarei apenas no Balneário do Rio Paramirim, há muitos outros lugares a serem mencionados, para não alongar demais me detenho a esse. Por fazermos parte do polígono da seca ter um bem onde a água corra o ano todo parece até conversa de pescador. Existe esse lugar, encontra-se em Paramirim. Carnaval do Rio, explosão de público. Por que não fazer de cada domingo um Carnaval? Com algumas melhoras, de fato, será um sonho possível. A Prefeitura levanta verbas e arca com as melhorias. Os comerciantes que ali se alojam e outros que porventura venham aderir bancariam junto às firmas de bebidas, grandes beneficiadas, a conta da festa. Cobrar-se-ia uma taxa que serviria para sanar os muitos gastos: salvas vidas, garis, energia, e as atrações locais. Seria um investimento para o longo prazo, esqueça o imediatismo, por que o turismo requer tempo considerável para se firmar. Muitos empregos germinariam das margens desse rio caudaloso e rico.
Desconheço a situação dos muitos municípios aqui da região, tenho certeza que se assemelha em muitos aspectos, ora ficando bem atrás de Paramirim. Como deve ser gratificante, Gestor, os visitantes comentarem do prazer que foi ter passado alguns agradáveis dias na cidade onde vossa excelência governa, e que breve farão novas visitas. Não sei como se comporta o ego de cada pessoa, mas tenho convicção que receber elogios é muito melhor que ser alvejado por ovos após uma desastrosa administração. Tenho esperança em ver nossa região crescer culturalmente, por isso deixo aqui um pedido a cada Gestor que está em começo de governo: “Trabalhe e doe seu tempo em prol do seu município. Faça dele uma referencia. Coloque seu nome na história do seu povo, não faça de ti um borrão que jamais será apagado, mas que muitos não gostariam sequer que tivesse existido”.
Luiz Carlos M. Cardoso (Bill)
08/04/2009
No mundo, tanto em cidades do interior quanto em grandes metrópoles, tende a nascer e florescer situações que se assemelham, porém pelo singular estado de cultura, aspecto geográfico e poder monetário deve se adequar a cada território programas diferenciados que traga os mesmos benefícios respeitando as suas devidas características. Na nossa querida Paramirim está em andamento um processo onde o Poder Judiciário pautado em leis, mas ignorando os aspectos regionais da cidade em que se encontra, impõem a classe dos
Comerciantes de Carne regras que acabará por inviabilizar esse ramo de negócio.
A população por ser o consumidor deve receber um produto saudável. A Vigilância Sanitária alega, e com razão, que os pontos comerciais dessa classe não estão dentro das normas higiênicas. Impôs mudanças: os estabelecimentos têm que possuir azulejo, tanto no chão quanto nas paredes; o teto forrado; balcão refrigerado, dentre outros instrumentos. Os Comerciantes receberam um prazo para efetuarem tais mudanças, esses acharam plausíveis e concordaram.
O problema começa com outras exigências feitas pelo Judiciário. A cidade de Brumado, 131 quilômetros de Paramirim, possui hoje um
Matadouro particular. A imposição do Judiciário é que toda a classe dos Comerciantes de Carne compre nesse local os produtos para revenderem no nosso município. Ignora a cultura criada há muitas décadas. O pequeno pecuarista que maneja seu pequeno rebanho de peduro na parte seca do município perderá de uma hora para outra seus habituais fregueses, pois para ir ao abate o peso dos animais deve alcançar um dado volume, fato raro nesses animais criados na Caatinga.
Se a vida está em jogo, por que não cobrar, Judiciário, do Executivo do Estado uma providencia para Ba 156. Apontar a espada para baixo e fazer os gatos se ajoelharem é fácil, erguer a mesma em direção aos grandes dinossauros parece loucura. Deveria procurar um meio para a situação e não obrigar a aceitar apenas um caminho. Por que não exige que o mesmo Matadouro abata os caprinos e suínos, esses continuarão a serem mortos nos mais sujos lugares. Não existe um nexo nos argumentos das autoridades. Ser déspota jamais será ser justo. Chamar os humildes Comerciantes de Carne para uma reunião e assim os ameaçarem com disparates vários sem sequer ouvir suas queixas acaba por colocá-los como cruéis criminosos quando na pratica apenas buscam uma solução para poder continuarem trabalhando.
Com tais atitudes o que se verá será uma grande parte indo para a clandestinidade, o risco para a saúde da população aumentará. O povo precisa comer, caso a carne suba muito, como sabemos que o salário não acompanhará essa alta o clandestino ao vender pela metade do preço acabará vendendo bem mais do que os regularizados. E não venha falar em fiscalização, pois sabemos que não haverá pessoal bastante para o monitoramento. Tentam melhorar, mas se não houver um consenso o que se verá será um risco ainda maior para a população. O Judiciário deseja fazer cumprir as Leis sem sequer ter realizado um estudo do impacto dessas mudanças. Será se compensará vender carne? Deveria ter algumas opções e não apenas um único caminho. Aos Comerciantes de Carne, ou segue nele ou desistam da profissão.
O Judiciário tem em mãos as Leis, porém se deve levar em conta que Paramirim não tem as mesmas características da megalópole que se tornou São Paulo. Cada ambiente deve procurar meios para usar essas Leis de forma que harmonize com a situação do lugar. O camelo vive bem no deserto, o pirarucu na Amazônia, o lobo guará no cerrado, invertendo os habitat dificilmente se sobrevivem.
Fica aqui um apelo ao Judiciário para que reveja suas decisões e junto com os principais beneficiados possa chegar a um consenso.
Luiz Carlos M. Cardoso (Bill)
27/02/2009
Quando o ambiente desestrutura e seus pares pedem o que até então possuía passando a viver de forma mais dura os indivíduos desse clã levantarão a voz no intuito único de mudanças. Assim que o sistema entra em pane a primeira porta de escape é a busca por um novo líder. Tanto nos Estados Unidos quanto em Paramirim a gestão de Bush como a de Sílvio deixaram a desejar, causa primeira do repudio aos dois.
Não desejo comparar o poder do império americano a pequena e anônima cidade de Paramirim, mas o espírito da coisa em si, pois tirando a magnitude que afasta esses dois pólos o clima de administrar se assemelha e muito, tanto lá quanto aqui. Os dois foram eleitos pelo povo que depositaram a confiança em dias futuros melhores.
A esperança dos cidadãos voa longe com esses novos gestores. Obama tem em mãos um baita de um pepino para descascar, todavia ele só angariou a presidência simplesmente por esse legume imenso existir, caso a economia ianque velejasse em mar calmo seria outra pessoa na presidência e não ele. Colocar o país nos trilhos não acontecerá da noite para o dia e não será tarefa fácil, o importante é que Obama possui o apoio popular.
Dr. Júlio recebe das mãos de Dr. Sílvio um município totalmente bagunçado. A Crise que assola o mundo querendo ou não afetará as prefeituras. Menos dinheiro no caixa significa menos trabalho e maiores dificuldades. Também goza do apoio da massa.
Um dos principais problemas que Obama terá que enfrentar está relacionado com a indústria automobilística. Empresas grandes demais para quebrar. Não havendo intervenção por parte do governo a falência de um gigante como GM levaria, direta e indiretamente, de uma hora para outra, milhões de pessoas a ficarem sem emprego. Já na nossa Paramirim, um ponto crucial será injetar melhorias na rede de ensino, rede que a cada ano deteriora. Caso não olhem com bons olhos para a educação, futuramente teremos muitos desempregados em uma ponta enquanto empregos em abundancia, na outra, só que a espera de pessoal qualificado.
Há muito que fazer tanto aqui como nos Estados Unidos. Definir prioridades. Fomentar a criação de postos de trabalho talvez seja a melhor das opções. Mas em lugares que quase tudo vai mal, definir quais são as prioridades não chega a ser tarefa tão fácil como se assemelha.
O povo acreditou e acredita neles, a sociedade exige dos Órgãos Públicos seriedade, transparência e trabalho. Cumprir um bom mandato poderá ser o começo de uma carreira promissora, agindo diferente, acarretará na morte política.
Há muitas semelhanças entre os dois, (e as glórias? serão dos dois). Logo saberemos.
Olhando para trás vejo o intervalo de uma Copa do Mundo de Futebol em um continente para outro como um lapso espaço de tempo; olhando ao futuro, essas quatro primaveras, dependendo do que se idealiza será como uma eternidade. Quatro anos não é pouco e nem tão pouco muito, quatro anos são tudo ou nada; um bom, porém, período para se realizar algo desejado e planejado. Todavia neste mesmo tempo um mar de rosas ou de lodo poderá surgir aos seus pés.
Na política as coisas não tendem a acontecer diferentes. Há quatro anos, terminada a votação, o povão desceu frenéticos para comemorar defronte a casa do prefeito eleito. Fogos, som, aplausos, esperanças, sorrisos, união. Passaram-se quatro primaveras, outonos, verões e invernos. Passaram as quatro estações quatro vezes cada, contudo a primavera do primeiro ano se foi deixando o temido inverno, fruto da falta de trato do jardineiro desleixado com suas plantas. Assim que anunciou o fim da votação, no ano de 2008, o mesmo povão desceu, novamente, frenético para comemorar, não defronte da casa do vencedor, mas da residência do vencido. Quem era o derrotado? Isso. O mesmo que há quatro anos fora sagrado vencedor.
Existem os foguetes gostosos da vitória para uns que para outros queima igual acido. A sorte ora presenteia um, ora outro. Saber conviver com ela e fazer com que a mesma trabalhe para ti não é tarefa para muitos, pois se assim fosse, o mundo não teria esse grande contingente de miseráveis. Ele recebeu das mãos da sorte um reinado de quatro longos anos, lembre-se: longo, como tudo, porém, um dia chega ao seu fim. Tendo um pouco de qualidades e experiência o reinado poderiam durar outros quatro.
A sorte como um passarinho deixou sua gaiola e sumiu no céu azul. Dizem que ela saiu em busca de outra pessoa. Quem sabe não é você, querido leitor? Pois esteja preparado, não vacile, agarre-a, faça as suas vontades e arraste ela contigo até o caixão. Infeliz do homem que ao ganhar a “Sorte” a perde logo em seguida, pois viverá o resto da existência procurando desculpas para algo sem jeito.
Quando a sorte parte ela leva consigo seus amigos, seus bens, suas virtudes, sua moral. Não pense você que aquilo que possui de fato é seu, não, ele pertence à sorte, quando ela te deixar levará tudo e você se já não apagou será como um defunto vivo. Essa é a sina de todos os afortunados.