Para você o que o Vale do Paramirim possui de maior valor? Resposta obvia paira no ar, no ar, não, no copo. Olhe o nosso manancial e pense se por acaso esse por ditames da natureza não existisse? Viver onde água se faz difícil igual a ouro não proporciona vida saudável, não haveria condições suficientes para florescer uma sociedade de porte considerável. Temos nosso querido Rio Paramirim, importante fonte de vida, sem ele nosso município e tantos outros circunvizinhos se assemelhariam às cidades fantasmas. Protegendo esta dádiva estaremos nos preservando de um futuro cheio de duvidas e percalços.
Mas pelas vastas necessidades e devaneios dos homens essa pedra preciosa anda por sobre vidros. Saber que um dia não tão distante a artéria central da nossa região poderá ter um colapso e secar me causa arrepios. O ano em que estamos Deus nos proporcionou abundancias em chuvas, nosso rio transbordou em suas margens, o açude ganhou um novo e exuberante visual. Pensemos: “O estado de abundancia mude e se transforme em um leito seco.” Bastarão alguns anos ruins da Graças Divina para o terror tomar todas as cidades que dependem exclusivamente dessa fonte. Como as principais manchetes estampam: “O ouro do século XXI deixará de ser o petróleo, passará a ser a água”. O elemento de maior fartura na superfície da Terra ganhará status de diamante em meio a uma imensidão do mesmo. Que sina a nossa.
Devemos, contudo, olhar para o aumento indiscriminado da destruição da flora das suas margens. Ultimamente a ganância dos proprietários de terra que tem o leito do rio cortando suas áreas derruba tudo para dessa forma ganhar mais espaço. Existe o Código Florestal (Lei n.° 4.777/65), onde consta que o rio com largura inferior a dez metros, cada margem deverá possuir no mínimo trinta metros de mata ciliar. Da Barragem do Zabumbão até a divisa com o município de Caturama acredito não existir um pedacinho sequer que se enquadre na Legislação. Outro dia fui eu ao açude do Bebedouro (distrito de Paramirim) que se encontra a uns cinco quilômetros da sede; parei em um local cheio de árvores e fiquei a apreciar; passado dois meses lá eu fui novamente, surpresa, as árvores não se encontravam mais, no local, uma plantação de sorvo. O Rio que se encontra, na sua quase totalidade, entupido pelo assoreamento, fruto dessa nefasta devastação, vai aos poucos sucumbindo, morrendo sobre a insensatez dos seus maiores beneficiados.
Há algum tempo aconteceu o inicio do programa de reflorestamento das margens do Rio Paramirim (parte que toca ao município de Paramirim) e seus vários riachos. Houve manifestação dos estudantes, das autoridades e da população em geral quando da plantação das primeiras mudas. Foram mais de cem mudas plantadas naquela linda manhã. Fiquei animado com o que vi e ouvir. Desanimo por ainda não ter visto a continuação do objetivo. Prometiam muito, mas quase nada se fez. Temos o viveiro de mudas, basta agora elaborar um plano para que de fato surta efeito o trabalho que vier a ser gasto. Pois não é conveniente plantar as mudas tendo na área uma boiada pronta a desfazer tudo o que foi realizado, naquele momento, acredito que poucos prestaram atenção nesse quesito, eu por sinal notei.
O Rio Paramirim nasce na Serra das Almas entre os municípios de Érico Cardoso e Rio de Contas, percorre por quatorze municípios: Érico Cardoso, Paramirim, Caturama, Rio do Pires, Macaúbas, Ibipitanga, Novo Horizonte, Boquira, Ibitiara, Oliveira dos Brejinhos, Brotas de Macaúbas, Ibotirama, Gentio do Ouro e Morpará. Juntam-se a ele nesse percurso o Rio da Caixa, Córrego de Daniel, Caiçara e Rio Juazeiro, esses na margem direita; já na margem esquerda, temos o Riachão, Riacho Mulungu, os Riachos de Boquira, Santa Rosa e Malhada das Varas. Deságua no lendário Rio São Francisco, ou como é denominado por muitos, “Velho Chico”.
Elaborar um plano de recuperação onde englobe todos os municípios que o Rio Paramirim adentra será o melhor caminho, obteríamos desta forma o melhor resultado. Todavia por possuir aproximadamente 17.100 km torna tal iniciativa pouco atraente por aderir muitos interesses diversos. O mais aconselhável é propor, a todos os municípios dependentes dessa fonte de água, a revitalização desse rio, a principio até Caturama, com o decorrer das conquistas descendo até chegar a sua foz. Seria uma pequena faixa, onde abrangeriam três municípios, Érico Cardoso, Paramirim e Caturama, não chegando a 100 km ou passando um pouco mais. Pensar, contudo, em facilidades poderá de imediato cair em insucessos. O problema é grave e delicado, requer um estudo bem detalhado antes de se tomar qualquer iniciativa.
Devemos olhar com carinho para nossas fontes de água. Tentar reverter o quadro lamentável que nosso Rio vem sofrendo por todos esses anos. A tarefa é dura, árdua e cheia de espinhos. Melhor será curar a doença no estágio inicial do que remediar assiduamente quando o estado já for de morte. A sociedade precisa colaborar e ajudar na proteção dos nossos rios, lagos e riachos, não havendo a participação de todos, dificilmente, por melhor que seja o plano, tenderá ao fracasso.
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