Há poucos dias houve um movimento envolvendo os moradores da região que fica na parte baixa do Rio Paramirim, local que receberá o líquido resultante do processo de tratamento do esgoto do Município de Paramirim. O movimento em si não conseguiu mobilizar a população, mas foram encaminhadas ao Poder Judiciário suas queixas. Como não houve grande repercussão poucos ficaram sabendo do fato. Contudo a preocupação dos moradores tem respaldo.
Na localidade do São João (Comunidade de Paramirim), local onde se cultiva hortaliças, o medo dos agricultores é de que suas culturas sejam contaminadas pelo resíduo do esgoto. Na Audiência Pública ocorrida em Paramirim dias antes do início das obras de construção do sistema de esgotamento sanitário foi explanado de forma não muito convincente como se daria o tratamento. Na ocasião esteve presente o Presidente da CODEVASF, o mesmo confirmou várias melhorias a serem realizadas no Rio Paramirim. Os trabalhos começaram nas ruas e avenidas, os planos divulgados foram descumpridos. A possível revitalização do Rio Paramirim, comentado pelo Presidente, ainda não saiu do papel.
Quando se vai a frente mostrar o verbo tudo que se quer pronunciar é solto ao ar. Sabemos, todavia, que pouca garantia há nessas palavras. Quando se diz que o líquido resultante do tratamento estará dentro dos padrões sanitários isso não quer dizer que de fato estará como o mencionado. Na Audiência falaram e muito que cada rua aberta seria fechada no máximo de quinze dias, o que foi visto foram ruas com mais de três meses abertas, que acabou trazendo muitos transtornos aos moradores e pedestres. Será que devemos confiar nas palavras? Será que deixaremos de lançar o esgoto na Lagoa para despejá-lo no Rio? Os moradores das Comunidades e dos Municípios abaixo da sede de Paramirim têm toda razão em estarem preocupados.
Uma alternativa seria bombear essa água para os terrenos secos e lá usá-la para plantação de árvores. Nossa região possui uma grande quantidade de cerâmicas, a necessidade de lenha é imensa, se tivéssemos como abastecer esses fornos sem as árvores da Caatinga já seria um grande avanço. Uma árvore que vem sendo muito elogiada por aqui é o Nim, ela tem crescimento rápido, sua madeira é nobre e de suas sementes podem ser feito vários produtos. Outra árvore é a algaroba, muito conhecida.
Como sabemos que aquilo que foi posto no papel será executado, em termo de obra, nos posicionamos para futuras reivindicações. Sabemos que quando se faz algo trás no seu rastro muitos desconfortos, com o tempo tende a serem resolvidos, ou acrescentados aos problemas diários daqueles que convivem no ambiente. Nos dias atuais poucos estão dispostos a lutar por causas que não lhe dizem respeito em termos monetários. Se me fere no patrimônio, devo reivindicar, se não, o problema é de outro. O que vigora hoje, neste mundo materialista, é o fato de lucrar em tudo. Se não existe lucro, não existirá luta. As comunidades se enfraquecem a medida que sua população se distancia, se torna estranha uma pessoa para com a outra. Você se lembra qual foi o último movimento que nossa sociedade se uniu em favor?
O problema existe e não podemos tentar tapá-lo com vista ofuscada. Existe tempo ainda para ser discutido. O povo quando se cala transparece paz e satisfação. Como diz um velho, porém sábio ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. Remédio, nos atuais dias, “É caro pra chuchu”, mas chuchu é barato, então “É caro pra dedéu”, nem sei o que significa dedéu.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
01/01/2011
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