O povo que menospreza os seus valores, que desfaz dos seus bens, que se faz de esquecido para cuidar do seu patrimônio, sem saber, ou ignorando, caminha rumo à miséria dos haveres e também da moral.
Fato que podemos observar nas redes sociais da Internet é a prática abusiva que o povo paramiriense vem causando a um dos nossos maiores ponto de atração turística, a Pedra do Sobrado (mais conhecida por estar situada na comunidade de Santana como Pedra da Santana, Pedra de Santana ou como foi registrada Pedra do Bandeira). Volta e meia deparamos com uma fotografia deste ponto, seria para nos orgulhamos ao ver essa raridade divulgada pelo mundo todo, mas o que nos traz a escrever algo sobre a Pedra serve apenas como alerta, pois da forma que conduzimos a conservação dos nossos bens em pouco não a teremos mais. Por mais que idealizamos a força das três pequenas pedras a segurar uma bem maior não podemos deixar de frisar que o peso de dez, vinte pessoas sobre a mesma não causará nenhum dano. Puro engano o nosso, quem lá for, dê uma olhada na superfície da pedra maior e veja a marca do desgaste já nítido.
Alguém irá perguntar: “O que fazer?”. Algumas fórmulas simples podem surtir efeitos benéficos. Primeiro deveríamos, ao menos, colocar nesses pontos placas informativas dizendo o que se pode e o que não se pode fazer. Acreditamos que apenas com essa medida mais de noventa por cento das pessoas que subiam na pedra não as farão mais. Nós humanos precisamos sempre de algo para nos guiar, se não existe parece que tudo se pode, é o mesmo que um país desprovido de uma Constituição.
Se fossemos uma cidade turística talvez tivéssemos guias que ajudassem na preservação, mas como estamos longe dessa maravilhosa marca, não conseguimos obter das nossas belezas rentabilidade e empregos. Enquanto nosso vizinho Rio de Contas se privilegia por explorar seus recursos de forma mais racional, nós deixamos de criar valor correndo-se o sério risco de ferir nosso já debilitado patrimônio. Na comunidade de Santana poderia ser criado um cargo de guia para o ponto mencionado, um guia que pudesse contar e falar do nosso Município e ao mesmo tempo ser responsável pela preservação do local. Quem lá quisesse ir que para isso pagasse uma pequena quantia.
Além da Pedra existem outros pontos a serem citados. O Balneário do Rio Paramirim tornou-se pequeno para o grande número de visitantes, com isso muitos problemas antes pequenos crescem, o lixo, por exemplo, se não ter o devido cuidado esses resíduos irão poluir o rio leito abaixo. Outra realidade nociva acontece nos Sítios Arqueológicos Rupestres encontrados no nosso Município, a prática predatória de pichação e vandalismo está levando-os ao seu rápido declínio, antes mesmo de muitos os terem conhecido.
Precisamos de pessoas ou da criação de um órgão que tenha iniciativa e recursos para que possa desempenhar um papel produtivo na área da preservação do nosso patrimônio. Colocar placas educativas, vistoriar as necessidades latentes de cada ponto e investir na educação poderia nos posicionar no cenário brasileiro como um lugar a ser visitado e explorado.
Ou abrimos os olhos aos nossos problemas ou teremos um profundo desgosto em mostrar aos nossos filhos e netos uma cidade sem cultura, sem identidade, sem algo que predam seus filhos e faça-os que tenham prazer em falar deste belo local.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
07/11/2010
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