O povo de Paramirim como em um simples toque de mágica deixou a letargia em que se encontrava e se viu enrolado na sua singela ociosidade. Quando viemos em si demos conta que erramos ricos, porém até então não sabíamos. Mas a riqueza que parecia nos pertencer já avivou o interesse de outrem.
Há quanto tempo terminara a obra? Dez, quinze anos? Tempo mais que suficiente para termos buscados recursos para possíveis e rendosos projetos. Todavia nós na nossa preguiça preguiçosa apenas nos satisfazíamos em gloriar da posição em que nos encontrávamos. Lembremos um belo poema de Eduardo Alves da Costa (No caminho, com Maiakóvski): “Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.”
A tristeza maior é ver nossos colegas, filhos e parentes se aventurarem para bandas distantes a procura do que fazer, tendo sempre o medo de tão logo também sermos obrigados a ingressar na marcha dessa imensa legião. Se nesse tempo perdido tivéssemos lutados juntos, com certeza teríamos conseguido nossos propósitos. Antes lutaríamos por uma solução, agora se entrarmos na luta será para perder. Tudo caminha para um ponto e todas as argumentações parecem vazias comparadas a necessidade de ter um pouco de água. O que seria de Paramirim e região se os homens do passado não tivessem metido as mãos na busca da construção da Barragem? Nos tempos de secas tornaria impossível a sobrevivência por aqui.
A população cresceu e com ela a demanda por água seguiu o seu rastro. O Rio Paramirim já mostra sinais nítidos de deterioração. De quem é a água do Zabumbão? Do Governo, da CODEVASF, da EMBASA, de PARAMIRIM...? Quem arcará com a revitalização do Rio? Paramirim recebe a água de Érico Cardoso, Paramirim hoje está implantando um sistema de esgotamento sanitário. Érico Cardoso tem um sistema de tratamento de esgoto? Qual o interesse de Érico Cardoso em cuidar de algo que será vantajoso para outro município? Se a água fosse de Paramirim esses problemas também os seriam? Mas ninguém deseja problemas, apenas gostamos dos lucros. Levando a água para Ibipitanga, Macaúbas e Boquira, os problemas com o Rio passarão a ser de quem? Certamente, acreditamos, que de ninguém. O curso seguirá seu ritmo de descaso e pouco caso. Em vez de discutirmos se a água vai ou não devemos antes nos entender quais os meios mais fáceis e rápidos para salvar nosso manancial.
Esperamos que nas próximas edições, se Deus nos permitir, possamos voltar a refletir um pouco mais sobre este tema tão importante para nossa região.
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill)
12/02/2011
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