Martinha Maria de Jesus

Martinha Maria de JesusMartinha Maria de Jesus é filha de Sofia Maria de Jesus. Teve várias irmãs, conheci uma de nome Milinda e que morava em São Paulo, sempre vinha passar alguns dias aqui em Paramirim.  Milinda deixou algumas filhas, essas de vez enquanto vem visitar nossa terra. Fala-se que os ancestrais dela são procedentes das Lavas Diamantinas, escravos, a mãe dela, a Sofia, possuía uma propriedade ao fundo do cemitério velho onde fica hoje a casa da mãe de Samuel dali se estendia até o asfalto, era chamada a Baixa de Sofia, nessa propriedade havia uma casinha onde ela morava. Eu a conheci, mas já bem idosa, lembro quando ela passava na rua levando um jumento para dá água na lagoa, o jumento ia peado, mal o danado podia caminhar, nós a indagávamos qual o motivo de o animal ficar amarrado daquele jeito, ela respondia, se ele corresse, não poderia ir atrás, com os passos reduzidos era mais fácil para ela que já idosa e faltando-lhe as forças da juventude acompanhar. Sofia morreu na época de 1960, 61 por aí. Falam que Martinha tem 107 anos, no registro não consta, mas a gente prever que ela tenha mais do que essa idade, porque a irmã dela, imediatamente a antecessora, que é Milinda, que foi irmã de Neide de Dr. Nelson Brito, a mesma nasceu no ano de 1900, no mês de julho, como naquele tempo as mulheres tinham filhos com espaço bem pequeno um do outro provavelmente ela deva ter nascido pelos anos de 1902, 1903, certamente tem mais de 100 anos. Por sinal, muito lúcida, quando eu converso com ela, a mesma se lembra das pessoas antigas que diz ter conhecido. Por exemplo, Cadú, um açougueiro que morou aqui, que é o avô de Dona Elza de Lulinha e morreu em 1920, já a esposa dele morreu em 1919, Martinha diz que quando o casal faleceu, ela já era moça. A Martinha nos tempos passados era bastante social, vendia muita coisa em casa, não tinha uma venda aberta, mas comprava açúcar, comprava ovos, frangos, comprava nas feiras, principalmente na de Tanque Novo e trazia para vender aqui. Ela era uma assídua romeira de Bom Jesus da Lapa, havia uma casa próxima a Gruta, a casa de Seu Joque, lá possuía o quarto de Martinha. Martinha é uma pessoa da sociedade, uma história viva da nossa sociedade, uma das poucas que ainda subsisti.

Por Gilvando Martins

Não é fácil vencer um século, quantos acontecimentos, quantas lutas, quantos choros, quantos sorrisos, quantas alegrias. Viver momentos diferentes, o transporte que era o jumento viu se transformar em automóvel e logo em aves voadoras. Viu filhos nascerem, viu os mesmos partirem, teve amigos, pencas de amigos, foi passando e chegando outros como a água do rio. Viver cem anos é ver o quanto a vida humana mudou e moldou todo o ambiente. Hoje com o peso dos anos já não se pode ser como era, o desgaste da máquina imprime sobre seu espírito corrente pesadas, mas basta uma pessoa chegar, que seja estranho, amigo, dos seus lábios foge um belo sorriso, deseja conversar, contar, falar. A fase da vida que a conversa é o melhor remédio se chama velhice. Estive na residência de Martinha na manhã do dia 11/03/2010 com o amigo Tulinha onde colhi essa singela imagem.

Sugestão de Matéria: Antônio Luiz Tanajura.

Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) 27/03/2010





                                                                                                     Página Inicial