Dom Casmurro

    Joaquim Maria Machado de Assis, ou Machado de Assis, fora o fundador do “Simbolismo” no Brasil. Com a sua obra, “Memória Póstuma de Brás Cuba”, Machado apresentou um jeito irreverente de se escrever em prosa. Inventou novas formas de contar: os micros-capítulos, a disposição não-linear de enredo, a metalinguagem, dentre outros.  Machado de Assis antecipou o que viria a ser o “Modernismo”. Seus traços, sua forma singular de escrever dão a seus romances algo particular, novo e ao mesmo tempo revelador.
    Nasceu no Rio de Janeiro, em 1839, no Morro do Livramento. Era mulato, tímido, gago, epilético e pobre. Filho de pintor e de mãe lavadeira. Órfão ainda cedo. Fez carreira de funcionário público. Trabalhou, aos 16 anos, na imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo. Aos 30 anos casa-se com Carolina Xavier de Novais. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, e seu primeiro presidente. Morre no Rio, aos 69 anos, em 1908.
    Dom Casmurro, ou Bentinho, nasceu no Rio, viveu nas terras cariocas, só não nos deixa pista da sua partida. O romance foi escrito em primeira pessoa e o próprio termina antes da morte do personagem principal. Sua vida passa entre duas ou três ruas, a de “Matacavalos” e a do “Engenho Novo” são as principais. Cresce junto a sua vizinha Capitolina (Capitu) a que têm “olhos de ressaca”, ou como diz José Dias: “olhos de cigana obliqua e dissimulada”. Descobre seu amor por Capitu ao escutar uma conversa entre sua mãe (Dona Glória), José Dias e seu Tio Cosme. Dias alerta a dona da casa sobre um possível namoro de Bentinho com Capitu, se não já, logo poderia vir a acontecer. Por promessa, Dona Glória resolve mandar o filho ao convento. Bentinho, então apaixonado, segue os conselhos de Capitu e tenta de tudo para tal não se suceder. Enfim, se ver forçado a ir estudar teologia. Passa algum tempo no convento. Nesse período conhece Escobar. Esse sonhava em ser comerciante. Não demora a sair do convento. Dedica seu tempo a estudar Direito. Volta e casa-se com Capitu, com consentimento da mãe. Escobar conhece Sancha (amiga de Capitu) e tão breve se casam. Bentinho sonhava em ter um filho. Demorou dois anos até sua mulher aparecer para ele grávida. Como eram amigos acima de tudo, ele e Escobar vivia um na residência do outro. Em certa noite, Sancha, enquanto tocava piano, o olhou de maneira diferente. No dia seguinte, seu amigo Ezequiel falece afogado enquanto nadava na praia de mar revolto e bravio. No enterro, Bentinho cisma ao notar o jeito choroso de sua esposa para com o morto. Começa a questionar o amor de Capitu por ele. Nota traços de seu amigo no filho Ezequiel. Episódios antigos invadem sua cabeça. Quer se matar. Não suicida, mas acaba por trucidar o que restava do seu casamento. Vai à França com o filho e a esposa. Retorna ao Brasil, sozinho. Capitu morre no país estrangeiro. O filho regressa ao Brasil. Ezequiel torna a viajar, desta vez ao Egito para trabalho cientifico, havia formado em Arqueologia. Morre de febre tifóide. Termina o Romance com uma breve retrospectiva dos seus dois melhores amigos, sua esposa, a primeira, e Escobar, seu maior, por sinal, aqueles que o traiu.
    Dom Casmurro é um livro romance que transcende o romance normal. Machado de Assis consegue levar o leitor a mundos fora da própria obra. Suas sutilezas de conversa com quem lê faz deste um participante. É como se o leitor fosse também o escritor. Aconselho a todos que leia e se possível releia a “Obra Dom Casmurro”. Um livro que dá prazer, que foge da época em que foi escrito para situar no atual momento.

    Por: Luiz Carlos M. Cardoso.
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