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4
2014

Buraco da Muribeca em Macaúbas

Na serra do Carrapato, na comunidade de Olhos d’Água dos Barcelos, distante 15 Km da cidade de Macaúbas, encontra-se o Buraco do Muribeca, provavelmente uma antiga mineração, com seus mistérios, histórias e lendas.

No Livro Descrições Práticas da Província da Bahia de Durval Vieira de Aguiar, o coronel da polícia baiana, que esteve em Macaúbas em julho de 1882, relata o que o deixou muito impressionado, a lenda do Muribeca.


No lugar denominado Olhos d’Água do Barcelos, também a dois quilômetros da vila, onde se levanta o Morro Muribeca, vêem-se muitos lugares, a que chamam lavadeiras, por indicarem ter-se ali lavado muito cascalho em bateias, como dá a conhecer o amontoado do mesmo cascalho fino e grosso, em camadas sobrepostas.

Afirmam os mais velhos habitantes existirem no termo as decantadas minas de Muribeca. Com este nome encontra-se a duas léguas da Vila uma grande serra onde existe uma profunda cavidade perfeitamente entulhada com pedras de uma qualidade diferente das da redondeza, fazendo crer que foram conduzidas de longe, necessariamente por muita gente; e como os nacionais desde que para lá emigraram já encontraram tanto isso como o nome da serra com a respectiva tradição, afirmam que esse entulho foi feito pelos índios até então únicos moradores, os quais com tais preocupações incontestavelmente cumpriram uma ordem de chefe ou, no interesse próprio, ocultaram uma preciosidade.

Da tribo apenas ficaram na povoação duas velhas indígenas, cujo viver misterioso mais confirmou todas as suposições, pois que viviam escondidas nas serras, de onde só saíam nos dias de feira para virem vender uma ou duas oitavas de ouro, de origem nunca confessada; comprando, com o produto da vendagem, o mantimento da semana, abastecimento que no sertão chamam – fazer o saco. Por tais índias sabe a população, um pouco fantasiadamente, a lenda do Muribeca. mesclada com a de Robério Dias. “Diz a tradição que o nome Muribeca fôra apelido dado pelos íncolas a um branco, que se fez chefe da tribo ali habitada, coisa que não admira, não só pela ascendência que tinha nela como pelas recordações que lhe deixou; e tendo esse chefe descoberto o segredo das famosas minas, que sua tribo guardava, veio à capital oferecê-la ao Rei (Governador), de quem exigiu grande recompensa; porém, aceito o oferecimento, voltou Muribeca com uma grande escolta de soldados e mineiros, comandada por um capitão, o qual trazia um prego contendo as recompensas de Muribeca, das quais só podia conhecer depois que entregasse as ditas minas; mas este, desconfiado, ao chegar às serras do Rio de Contas, tais sedução fizera ao oficial, garantindo estar à vista das minas, que este abriu o prego, contendo apenas uma patente de capitão de milícias; pelo que, desgostoso, recusou-se de ir além e sobretudo a confessar o seu descobrimento, não obstante as promessas, as ameaças e até os espancamentos sofridos da escolta, que, desenganadas, o reconduziu preso e algemado para esta capital, em cujas cadeias faleceu, levando consigo o seu segredo”.

E para aumentar ainda mais o mistério, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, na seção de manuscritos, obras raras, existe um documento do século XVIII, denominado “Manuscrito 512”, no qual se narra o descobrimento de uma maravilhosa cidade perdida de casas de pedra e amplas ruas, além de numerosas inscrições gravadas nas pedras em uma língua completamente desconhecida, no interior da Bahia. Muitos pesquisadores associam esta cidade, que esconde uma enorme jazida de ouro, prata e pedras preciosas, as minas do Muribeca.

Muitos aventureiros e estudiosos já percorreram o sertão da Bahia a procura das minas e da cidade perdida: Pedro Leolino Mariz, superintendente das minas do Estado da Bahia; Os britânicos, Daniel Robert O’Sullivan Beare e o mais famoso dos aventureiros, o Coronel Percy Harrison Fawcett, entre muitos outros.

Curiosidade:
As minas de prata do Muribeca mexeu muito com o imaginário popular. Em 1862, José de Alencar publica As Minas de Prata, em sua versão completa em seis volumes.

Moacir Santos, João Fontoura, Afonso Sant’Ana, Fernando Amaral já desceram nesse buraco de, aproximadamente, 35 metros e encontraram uma cerca que calçavam um amontoado de pedras.

Seria o Buraco do Muribeca, em Macaúbas, um indício das minas de pratas e da cidade perdida do documeto 512?

Fonte:
• O Livro de Durval Vieira de Aguiar: Descrições Práticas da Província da Bahia. 2ª edição, Livraria Editora Cátedra, Rio de Janeiro, 1979. Páginas: 165 a 177;
• Internet: blogs, sites e artigos diversos – Google.

Fonte do Texto e das Fotos: Facebook de Macaúbas em Foco.

Fotos: Fernando Amaral.

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